Denúncias e flagrantes de queimadas seriam investigadas por uma delegacia especializada da Polícia Civil — Foto: Ana Paula Xavier

Dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que foram registrados 7.319 focos ativos de incêndios de janeiro até esse domingo (27) no estado do Acre.

Se comparado aos anos anteriores, esse é o maior número de focos dos últimos 10 anos. Em 2010, foram registrados 7.405 focos ativos no estado no mesmo período.

Ainda segundo os dados, o número de focos de queimadas este ano cresceu 17%, comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 6.246 focos.

Na região Norte, o número de focos também foi maior entre janeiro e o dia 27 de setembro deste ano em relação ao mesmo período em 2019. Segundo os dados do Inpe, foram registrados 65.085 focos de queimadas este ano, contra 60.969 no ano passado, um aumento de quase 7%.

A situação é a mesma em todo país. Conforme o levantamento, este ano foram registrados 153.540 no Brasil e no ano passado, no mesmo período de menos de nove meses, tinha chegado a 141.572 focos ativos de queimadas, um aumento de 8%.

Cidades com mais focos

Dados do último relatório da sala de situação de monitoramento hidrometeorológico do Acre, divulgados na última sexta-feira (25), apontam que os municípios de Feijó, Tarauacá e Sena Madureira foram os que apresentaram o maior número de focos acumulados no de 1 de janeiro a 24 de setembro.

O acumulado mensal de focos de queimadas no estado do Acre, entre o início do mês de setembro e quinta (24), é de 2.975 focos de queimadas, levando em consideração dados do satélite de referência.

Os municípios de Capixaba, Brasileia, Bujari e Acrelândia registraram o maior número de focos por quilômetro quadrado em seu território, conforme o relatório da sala de situação.

Com relação aos focos de queimadas registrados na Amazônia Legal de janeiro até o dia 24 de setembro, o Acre aparece em 6º lugar no ranking, com 6,3% dos casos. O Mato Grosso concentra o maior número de focos, com 37.667.

Poluição do ar

A concentração de partículas poluentes no ar atinge números alarmantes neste período de estiagem no Acre. Dados dos sensores de monitoração mostram que esta semana a poluição do ar chegou a ficar 10 vezes acima do que é ideal para a respiração.

Conforme os dados do relatório, na última quinta-feira (24), o índice de materiais particulados inaláveis chegou a 234,86 μg/m³, na capital Rio Branco.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que a quantidade de material particulado por metro cúbico aceitável é de 25 microgramas. Acima disso, a qualidade é ruim para a saúde humana.

Problemas respiratórios

Com o aumento no número de queimadas, as unidades básicas de saúde da capital acreana registraram um total de 4.740 casos de doenças respiratórias entre 1 de agosto e 25 de setembro deste ano.

O número é 17% maior que o contabilizado no mesmo período do ano passado, quando foram atendidos 4.045 pacientes com queixas de problemas respiratórios.

Já no mês de maio deste ano foi registrado um aumento significativo na procura por atendimento médico por conta de doenças respiratórias. Segundo os dados, foram 3.994 atendimentos este ano, sendo que no mesmo mês em 2019 foram 1.762. De lá para cá, os casos foram se mantendo muito acima do registrado no ano passado.

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre