Na última quarta-feira, dia 16, a indústria de frutas Norte Hortifruti, sediada em Mâncio Lima, fazia o transporte, como acontece semanalmente, da carga de açaí do município, localizado no Vale do Juruá, até a capital Rio Branco.

Em Cruzeiro do Sul, o caminhão, carregado com 15 toneladas de açaí, foi parado por uma fiscalização da Polícia Militar na BR-364. A carga foi conferida, liberada e o caminhão pode seguir viagem. Acontece que ao chegar em Tarauacá, o motorista se deparou com mais uma barreira da Polícia Militar. É aí que começa a história de um prejuízo de mais de 100 mil reais.

Em uma carta, enviada ao Secretário de Segurança Pública do Acre (Sejusp), Paulo Cézar dos Santos, a empresa conta que o policial responsável pela abordagem, que não é identificado, sem justificativa, resolveu que toda a carga deveria ser revistada e ainda passar pelo equipamento de detecção de infravermelho que fica dentro presídio Moacir Prado, localizado em Tarauacá.

No documento, a empresa esclarece que o motorista explicou que o açaí é um produto extremamente delicado, não podendo ser manipulado de qualquer maneira, sem refrigeração, o que pode fazer com que fique inapto para o consumo.

Mesmo assim, de acordo com a denúncia, por volta de meio-dia, o policial obrigou o motorista a levar o caminhão até o presídio. Um trecho da carta detalha: “Ato contínuo, fez com que os detentos descarregassem toda a carga para ser vistoriada, que além de causar a ruptura das embalagens pelo manejo inadequado, pois os sacos eram jogados dentro de uma “carrocinha” e depois carregados pelos presos até o interior da penitenciária, fez com que a mesma ficasse por horas sem refrigeração adequada gerando a fermentação do produto e consequentemente perda total da carga!”. O prejuízo, de acordo com a empresa, é de R$ 150 mil.

O motorista relatou que filmou os detentos carregando os pacotes de açaí, mas teve o celular apreendido. Mesmo assim, uma outra pessoa conseguiu fazer fotografias.

No final da carta, a empresa diz que não tem como arcar com o prejuízo. “A empresa, vem realizando diversos investimentos na região e dependia da venda desta carga para saldar seus compromissos com funcionários e credores e agora diante do prejuízo causado pela ação de um agente público, servidor do estado, se encontra sem condições de adimplir com seus compromissos. A safra de açaí já findou e não há sequer como repor a mercadoria que teve rejeitado o recebimento pelo cliente uma vez que restou inapta ao consumo.

Certos de vosso grande senso de justiça e equidade estamos diante da presença de da presença de Vossa Senhoria em busca de auxílio para que possamos de alguma forma encontrar uma reparação pelo prejuízo sofrido. uma reparação pelo prejuízo sofrido”, disse.

A Norte Hortifruti afirma que é uma empresa com atuação voltada a industrialização de produtos oriundos do extrativismo e produção familiar, como polpa de frutas, produtos derivados do açaí, buriti, macaxeira e óleos. Atualmente é geradora de 25 empregos diretos e de aproximadamente 300 indiretos decorrentes de parceria Privado-Comunitária com a Cooperativa Agroindustrial e Extrativista do vale do Juruá – COOPERVALE, incentivado assim as cadeias produtivas da região do Vale do Juruá fortalecendo a economia local com responsabilidade socioambiental.

A reportagem entrou em contato com assessoria da Polícia Militar e aguarda um posicionamento sobre a denúncia. Por Leônidas Badaró  – Ac24horas