Foi difícil ver o sol ver na manhã desta sexta-feira (28) em Rio Branco. Isso porque uma cortina de fumaça deixou a cidade encoberta, consequência dos efeitos das queimadas que se intensificam nesta época do ano.

Em coletiva de imprensa nesta sexta, onde foi apresentado balanço da Operação Focus II, o relatório técnico da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema) apontou que de 1º de janeiro a 27 de agosto foram registrados pelos satélites de referência Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) mais de 2,5 mil focos de queimadas, dos quais mais de 2 mil foram registradas de 1º a 27 de agosto, ou seja, 81% dos focos acumulados de janeiro até o momento.

A diretora Executiva da Sema, Vera Reis, disse que a fumaça vem de todos os lados e com isso aumentam os casos de doenças respiratórias registrados no estado, só em consequência da fumaça.

“Na verdade, a fumaça vem de todos os lados. Nós temos áreas queimando dentro de Rio Branco, especialmente naquela área de resíduos inertes. A gente tem um fogo lá que dificilmente vai apagar essa semana. Continua a queimada, mas todo o trajeto da Transacreana tem apresentado focos de calor nos últimos dois dias e essa fumaça se desloca com a massa de ar, então, nossos medidores estão demonstrando que a concentração de material particulado está chegando ao Centro da cidade, para vocês verem como há um prejuízo local”, disse Vera.

Situação crítica

Os municípios que estão em situação mais crítica são Feijó, Manoel Urbano, Rio Branco, Sena Madureira, Tarauacá, Xapuri e Brasileia. Ações ocorrem de forma integrada para minimizar os impactos.

“Nós estamos trabalhando de forma conjunta com as prefeituras. Estamos com apoio do Ministério Público Estadual e Federal com todas as promotorias dos municípios, nos municípios mais críticos e as secretarias municipais de meio ambiente, no sentido de fazer um processo de sensibilização massiva para que a gente consiga controlar as queimadas urbanas”, pontuou.

Vera diz que há uma resistência porque existe uma cultura de queimar no Acre. “As pessoas culturalmente queimam nessa época do ano. Então, invés de agrupar os resíduos e colocar em um processo de recolhimento convencional, eles acham mais fácil queimar. São pessoas que não têm noção de que a fumaça pode afetar a saúde das pessoas. Lembrando que doença respiratória agravada por fumaça pode levar a morte. Não é só a Covid-19 que mata”, acrescentou.

O secretário de Meio Ambiente, Israel Milani, reforçou que o estado está entrando ainda no período mais crítico e que a tendência é que as queimadas ainda devem aumentar.

“Estamos entrando num período que a umidade relativa do ar está muito baixa, a vegetação tá muito seca. A equipe está indo a campo fazendo com que a atividade de comando e controle sejam realizadas com eficiência, onde a gente tem que chegar”, disse o secretário.

O diretor presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre, André Hassem disse que as ações devem continuar já que o pico das queimadas devem ocorrer no mês de setembro.

“Vamos continuar, continuamos com a operação. Estamos em um momento crítico. Sabemos que a maioria das queimadas são urbanas e nós pedimos o apoio de toda sociedade, de todas as famílias para que nós possamos juntos evitar os crimes ambientais e as queimadas nesse período tão crítico e seco no estado”, complementou. Do G1 Acre.