Imagina uma mãe participando de uma reunião de trabalho online e o bebê chora com fome durante a transmissão. O que você faria nesta situação? Amamenta a criança e segue com a reunião, é claro. Afinal, a conversa é justamente sobre não ter hora nem tem regras quando o assunto é amamentação em livre demanda.

E foi assim, em uma roda de conversa descontraída na manhã desta terça-feira, 11, com direito a amamentação ao vivo na plataforma virtual, que o Webinário Estadual de Incentivo ao Aleitamento Materno teve início no Acre, através do canal do Telessaúde Acre. 

O seminário foi conduzido pelas palestrantes Cíntia Ribeiro Santos, coordenadora nacional da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (Ibfan) e Analuíza Freire, coordenadora da Área de Alimentação e Nutrição da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco. Por conta da pandemia do novo coronavírus, as ações deste ano estão sendo realizadas de forma virtual.

“Estamos inseridos em um contexto da região Amazônica que tem sido notícia diária nacional e internacional por causa do desmatamento e um dos motivos para isso é o desenvolvimento do agronegócio que produz os substitutos do aleitamento materno. Além de evitar o desmatamento, apoiar a prática do aleitamento reduz a produção de embalagens de leite, mamadeira, bicos e outros contribuintes para a poluição do planeta e o descarte de água. Mesmo em tempos de pandemia, o leite materno continua sendo o melhor e mais acessível alimento para nossas crianças. Eu sou prova disso, pois estou alimentando um bebê de três meses de forma exclusiva nesses momentos difíceis e recomendo para todas as mães praticarem esse ato de amor pelos seus bebês, família, sociedade em geral e pelo nosso planeta”, defende uma das moderadoras do webinário, professora da Ufac de Cruzeiro do Sul, doutora Vanízia da Silva Maciel, que durante a transmissão ao vivo amamentou seu bebê.

A chefe do Núcleo de Alimentação e Nutrição da Secretaria de Estado de Saúde, Deltirene Cardoso, explica que a abertura da campanha teve como foco o direito de amamentar e ser amamentado, uma vez que a legislação brasileira é considerada uma das mais avançadas na proteção ao aleitamento materno e ao direito da criança à amamentação nos seis primeiros meses, exclusivamente no peito materno, e até dois anos ou mais com a adição de outros alimentos.

A Constituição Federal garante à mulher que trabalha fora do lar a licença-maternidade e o direito à garantia no emprego à gestante e durante o período de lactação, assegurando condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período da amamentação.

“Amamentar é um direito da mãe e ninguém pode ir contra isso. A abertura do Agosto Dourado foi exatamente sobre isso. A coordenadora da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar no Brasil fez uma explanação da importância do empoderamento do profissional acerca das leis, que uma vez tendo o olhar treinado, facilmente identifica o marketing abusivo, que incentiva as mães a não amamentar”, observa Deltirene Cardoso.

Durante o evento realizado por meio da plataforma do Telessaúde, as palestrantes também ressaltaram o bom trabalho executado na rede de saúde na promoção e incentivo ao aleitamento materno, cuja Unidade de Referência de Atenção Primária (Urap) Augusto Hidalgo de Lima se tornou ponto de coleta de leito humano.

Nesta quarta-feira, 12, o webinário foi sobre Aleitamento Materno e Adolescência – Percepções de Mães Adolescentes de uma Unidade de Saúde do Acre; Experiência no Manejo da Amamentação com Sars-Cov2, e Promoção do Aleitamento Materno e Banco de Leito Humano. Para encerrar a programação, o seminário online será norteado pelo Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos, além da explanação sobre os indicadores de aleitamento materno no estado do Acre.

Promovidas pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), por meio do Comitê Estadual de Promoção, Defesa e Apoio ao aleitamento Materno do Acre, as atividades serão realizadas até o dia 13 de agosto. Quem tiver interesse em participar do webinário, basta acessar o site do Telessaúde Acre, clicando na aba Webpalestras, sendo direcionado, assim, à sala de conferência. Se preferir, o canal do Telessaúde Acre, no YouTube, também conta com a transmissão ao vivo.