Comerciantes do Conjunto habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, e de pelo menos mais dois bairros eram vítimas de extorsão e tinham que pagar mensalidades a um grupo criminoso em troca de “segurança”, é o que apontou o Ministério Público do Acre (MP-AC), durante coletiva, após deflagrar a ‘Operação Livro Caixa’, nesta quarta-feira (5).

A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e Polícia Militar, que atuou com pelo menos 50 policiais. O objetivo é desarticular o núcleo financeiro que era responsável por realizar a contabilidade do grupo criminoso.

As investigações duraram quatro meses e cumpriu 18 mandados, sendo 13 de prisão e outros cinco de busca e apreensão. Desse total ,11 pessoas foram presas, a maioria mulheres, e duas são consideradas foragidas. Durante a operação ainda foi efetuada uma prisão em flagrante e um menor foi conduzido à delegacia.

“Esse grupo atuava principalmente no conjunto Habitacional Cidade do Povo e em outros bairros da capital e estava adotando procedimento de cobrar valores e mensalidades dos comerciantes daquela região em troca de uma suposta segurança. Segurança essa que era contra ataques realizados pela própria organização criminosa”, disse o coordenador adjunto do Gaeco, promotor Bernardo Albano.

O promotor informou que ao longo da investigação foram identificados os núcleos responsáveis por fazer essa arrecadação e contabilidade desses valores que foram desarticulados.

“Importante destacar que, nesse momento, boa parte dessas lideranças e dessa ação de contabilidade da organização estava sendo gerenciada por faccionadas. Mulheres que já tinham posição dentro da organização. Ao mesmo tempo, tivemos a identificação de um segundo núcleo que é voltado ao cadastro dos novos integrantes batizados no grupo que foi identificado e preso na presente data”, acrescentou.

Apoio da população

O comandante da Polícia Militar, coronel Paulo Cesar Gomes, disse que nestes casos a população tem papel importante para coibir as ações destes grupos criminosos, quando faz denúncias.

“A gente pede o apoio da população em denunciar. Chegou para as instituições algumas denúncias de cobranças por parte das facções, como espécie de mesada, principalmente nos bairros mais periféricos e também das pessoas que moram lá”, disse.

O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), o tenente-coronel Edener Franco, também reforçou o trabalho de inteligência que fez a operação ter êxito.

“A gente sempre está operando junto com a Inteligência. Sem a Inteligência, ninguém consegue chegar a nada. Se não, a gente vai policiar a ermo e não vamos conseguir o êxito de prender aquelas pessoas que cometeram ou que estão planejando delitos. A gente sempre está nas ruas fazendo nossas operações, tanto isoladas quanto em conjunto. Essa com o Gaeco e com o setor de Inteligência da PM que foi preponderante para a busca de informações para poder subsidiar essa ação”, pontuou.

O comandante também destacou que as denúncias são importantes no combate ao crime organizado.

“Nós temos alguns institutos que você pode entrar em contato através do 181 ou disck denúncia que possam entregar as pessoas sem serem identificadas. Bem como estamos à disposição para podermos cada vez mais dar segurança à sociedade e tirar aquelas pessoas que não queiram ficar na sociedade sem cometer delitos”, concluiu. 

Do G1 Acre