Durante coletiva, a Polícia Civil confirmou que uma empresa ligada aos ex-gestores do Departamento Estadual de Água e Saneamento (Depasa), Sebastião Fonseca, ex-diretor presidente e Edson Siqueira ex-diretor financeiro, era beneficiada com pagamento irregular no desvio de verbas públicas que chegou ao montante de R$ 500 mil.

As investigações são da Delegacia de Combate à Corrupção e aos Crimes contra a Ordem Tributária e Financeira (Decor), que investiga os desvios há dois meses e desencadeou, na manhã desta segunda-feira (3), a Operação ‘Toque de Caixa’, que resultou na prisão de Fonseca.

“Então existe uma situação de pagamento irregular feito a uma determinada empresa que tem vínculo com os ex-gestores e a ideia é justamente, através desses bloqueios de bens e indisponibilidade, fazer com que o Estado possa recuperar esses valores que foram subtraídos por meio do pagamento irregular que superam os R$ 500 mil”, disse o delegado Alcino Junior.

Durante a operação foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária de cinco dias. Foram apreendidos materiais, mídia, documentos, tanto na casa dos alvos como também na sede do Depasa.

Além disso, foi feita a recuperação de arquivos, bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de bens dos suspeitos investigados na operação. A polícia não informou qual o valor foi bloqueado.

A polícia ainda informou que foi cumprido mandado de busca e apreensão em um estabelecimento comercial, em duas casas e também foram expedidas ordens de prisão temporária direcionadas a duas pessoas especificamente, sendo que uma delas já se encontra cumprido, a de Sebastião Fonseca, e o mandado de outra aguarda o cumprimento.

“Hoje é a fase ostensiva de uma investigação que já tem dois meses. Quando acontece uma fase ostensiva dessas a gente já passou por todo um estudo de análise, de auditoria, justamente onde entra o papel da CGE. As medidas cautelares têm o norte de complementar a investigação de fazer com que outras provas sejam carreadas e que possam de certa forma trazer um procedimento mais robusto”, acrescentou o delegado.

Dois meses de investigações

O delegado geral de Polícia Civil, Josemar Portes, disse que a operação ocorreu em parceria com a Controladoria Geral do Estado (CGE), Ministério Público através do Grupo de Ação de Combate à Corrupção (GAECC), num período de pelo menos dois meses.

“Há cerca de dois meses aproximadamente a Polícia Civil do Acre, através da Decor, deu início a investigação a cerca de possíveis crimes praticados contra a administração pública no âmbito do Depasa. As investigações fluíram, evoluíram, estão bastante materializadas, bastante densas e hoje estamos aflorando com uma operação necessária para o complemento dessas investigações que teve como objetivo a recuperação de ativos, bloqueio de contas, acesso também ao ambiente interno do próprio Depasa em cumprimento de mandados de busca e apreensão”, afirmou Portes.

O delegado geral ainda disse que a partir da deflagração da operação, já considera o inquérito em fase de conclusão e que deve ser encerrado num curto período de tempo.

“Nenhuma das ações hoje externadas foi praticada sem o aval, sem a indefectível ordem judicial. São ordens emanadas em razão da representação da comunicação da delegacia, judiciário, MP, CGE e todas elas fundamentadas em provas que foram capitaneadas, formadas nesses dois meses de investigação e quero crer que no prazo mais rápido possível tenhamos condições de encerrar esse inquérito”, acrescentou.

Em nota, o diretor presidente do Depasa, Luiz Felipe Aragão, disse que a atual diretoria do órgão reitera seu apoio ao combate à corrupção e está à disposição para prestar informações que venham a ser solicitadas pelas instituições.

Por Alcinete Gadelha, G1 Acre