O valor da vida foi colocado em xeque pelo Club Rio Branco, no Acre. Ao anunciar a contratação do goleiro Bruno Fernandes, neste domingo (26), como um de seus maiores feitos, o clube reforça a máxima de que o crime compensa e que a vida não tem valor.

Bruno Fernandes cumpre prisão no regime semiaberto pelo assassinato de Eliza Samúdio, em 2010. Quem não se lembra das manchetes? Apesar de a polícia ainda não ter comprovado a versão, as denúncias dão conta de que Bruno, o agora goleiro do Club Rio Branco, mandou esquartejar a mãe do seu filho e dar sua carne aos cachorros. 

Nosso estado, segundo todas as pesquisas e matérias na mídia, é um dos mais violentos para as mulheres, com uma taxa de homicídios dolosos de sete mortes a cada 100 mil mulheres e de 2,5 feminicídios a cada 100 mil mulheres. Com esses números, qual recado quer passar o Club Rio Branco com esta contratação? Que respeito tem pelas mulheres?

O Brasil é o país do futebol e seus jogadores são capazes de arrastar multidões. É essa a referência que o Club quer para sua torcida infantil, para seus jovens, homens e mulheres? Um assassino cruel, que mandou matar a ex-namorada para não reconhecer o filho?

Precisamos levantar nossas vozes e mostrar nossa indignação com essa contratação. Bruno Fernandes tem sangue nas mãos! Outros clubes voltaram atrás depois da repercussão negativa da tentativa de contratação do goleiro. Espero que o Club Rio Branco faça o mesmo e mostre que a vida importa.

Perpétua Almeida

É deputada Federal e líder do PCdoB na Câmara dos Deputados