De acordo com a Organização Mundial de saúde, todo ano, cerca de 430 mil pessoas morrem por causa da malária. Entre elas, 70% são crianças com menos de cinco anos de idade. A transmissão natural da doença se dá pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados com o Plasmodium dos quais há quatro espécies principais: Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae, Plasmodium vivax e Plasmodium ovale. Estes mosquitos também são conhecidos por anofelinos, dentre outros nomes.

Em 2007 Mâncio Lima foi campeão de malária no Brasil, em termos proporcionais. Mais de metade da população foi diagnosticada com a doença. Entre os casos, houve uma proporção de ocorrência relativamente alta na zona urbana, fato não muito comum e que parece ser algo exclusivo da cidade. Em 2017 a média mensal de casos da doença era de 800 e, em 2020, a média mensal no mesmo período está em torno de 200 casos, 600 pessoas estão deixando de adoecer por malária todos os meses, este é o menor número dos últimos 15 anos.

“Isso só está sendo possível graças ao comprometimento da gestão para redução desses números e melhoria da qualidade de vida da população, novos agentes foram contratados, a frota de veículos foi ampliada, mosquiteiros foram instalados, casas foram borrifadas, educação em saúde foi melhorada, diagnóstico e tratamento garantidos, tudo isso nos deixa feliz porque imagina se tivesse havido aumento dos casos neste período em que estamos voltados ao combate da pandemia do novo coronavírus”, disse Francisco Melo, Gerente de Endemias.

Para Isaac Lima, Prefeito de Mâncio Lima, a limpeza intensa da cidade, os mutirões nos bairros tem contribuído para a redução dos casos tanto de malária como de dengue, para o gestor, sem os investimentos da gestão e sem o apoio da população o Município de Mâncio Lima estaria vivendo um pico alto da doença.

“Desde que assumimos que nossa meta tem sido garantir uma qualidade de vida melhor para nossa população. E, qualidade de vida começa com ações de saúde como as de combate de malária, dengue e outras doenças típicas dessa região. Temos realizado constantemente os mutirões de limpeza em todos os bairros, os agentes de endemias têm intensificado as visitas domiciliares a fim de identificar e eliminar os focos de reprodução do mosquito. Fico feliz em estarmos comemorando bons resultados frente a esse momento difícil que estamos vivendo”, destacou Isaac Lima, Prefeito de Mâncio Lima.

Foi o cenário de 2007 que levou pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP a desenvolverem um projeto na cidade. O objetivo era entender a ocorrência da malária na região e fornecer instrumentos para combater a doença. Os pesquisadores desenvolveram ainda modelos matemáticos de transmissão de malária, em colaboração com o grupo da Escola de Medicina Tropical de Liverpool, na Inglaterra. A ideia era predizer qual o impacto esperado de diferentes medidas de controle em uma comunidade como Mâncio Lima.

“A malária é uma doença endêmica da região amazônica e com a continuidade dos trabalhos poderemos ter a eliminação desta doença. Sem ações pontuais, sem os estudos que foram realizados, o apoio do Ministério da Saúde e da equipe Estadual de Saúde, sem o empenho e dedicação da nossa equipe nós poderíamos está vivendo uma realidade bem pior, mas, se descuidarmos, a malária pode voltar. Com a redução dos casos de dengue e malária, a qualidade de vida das pessoas melhorou e também houve menos prejuízos socioeconômicos, pois menos trabalhadores adoeceram, menos pessoas estão sendo internadas correndo risco de pegarem outras doenças. Assim, se tivéssemos tendo alta incidência da malária como em anos anteriores, nesse período de pandemia da COVID-19, Mâncio estaria vivendo um verdadeiro estado de calamidade em saúde pública,”, finalizou Ajucilene Gonçalves Mota, Secretaria Municipal de Saúde.

As medidas de proteção individual são as formas mais efetivas de prevenção, considerando-se que ainda não existe uma vacina disponível contra a malária. Essas medidas têm como objetivo principal impedir ou reduzir a possibilidade do contato homem-mosquito transmissor. Em áreas de transmissão é considerado comportamento de risco frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio, açudes ou áreas alagadas no final da tarde até o amanhecer, pois nesses horários há um maior número de mosquitos transmissores de malária circulando.