Os vereadores das Bancadas dos Partidos PT, PSB, PP, PSL PROS e MDB, da Câmara Municipal de Brasileia, abaixo subscritos, vem em público prestar homenagem pela passagem dos 40 anos do assassinato do seringueiro Wilson de Souza Pinheiro, defensor dos povos da Floresta, ocorrida em 21 de julho de 1980, data que ficou marcada pela trágica perda de um dos dois principais líderes da luta dos seringueiros. Nesta data rememoramos à luta por justiça social e pelo direito à posse da terra travada por esse líder dos trabalhadores rurais e extrativistas de Brasileia e ao sacrifício de sua vida, levando-nos refletir o quanto a sua luta foi benéfica para a sociedade e o quanto devemos ter orgulho da história desta ilustre liderança, com a participação de seus companheiros.

Wilson de Souza Pinheiro, nasceu dia 15 de fevereiro de 1933 no município de Carreiros Estado do Amazonas. Migrou para Acre em meados dos anos 1960, com o objetivo de cortar seringa; Em sua ampla e profícua trajetória de luta sindical, destacou-se desde cedo, como ativista, militante do movimento sindical pela sua coragem e fé em uma vida melhor aos seus companheiros. Em 1979 foi eleito Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia e em 1980, fez parte da Comissão Organizadora da fundação do Partido dos Trabalhadores no Acre. Era um homem alto, determinado de fala mansa e rara e olhar poderoso, além de ser um trabalhador e pai de família exemplar. Partiu deixando esposa e 8 filhos e um legado eterno, a este município e ao Estado do Acre.

Em suas atuações, como líder Sindical, liderou em 1979, o ‘‘Mutirão contra a Jagunçada’’, movimento que impedia peões e capatazes de fazendeiros de derrubarem a floresta para a formação de pastagens, que ficou conhecido como “empates”, ocasião em que centenas de trabalhadores marcharam contra jagunços armados que ameaçavam os posseiros da região, preservando, ao mesmo tempo, floresta, sendo a derrubada desta, contida pelos “empates” pela resistência dos seringueiros. Essa ação foi uma das primeiras iniciativas de resistência popular contra a política de ocupação da Amazônia patrocinada pelo regime militar vigente. No mesmo ano liderou uma comissão de trabalhadores rurais e índios do Acre na busca pelo fim do conflito entre a etnia Apurinã e os assentados pelo INCRA em território indígena. Realizou vários empates em defesa dos menos favorecidos, seringueiros, extrativistas e pequenos produtores rurais; Lutava contra uma força que destruía a floresta e seus posseiros. Em meio a tantas lutas resolveu juntar-se a outros defensores do movimento. A criação de um Sindicato foi uma forma de conscientizar o fortalecimento do movimento sindical. Incomodava os proprietários de terras que derrubavam matas, desrespeitavam os povos e os costumes da floresta, combatia aqueles que se colocavam acima dos direitos sociais e valores ambientais, Sua força residia na consciência e na união dos que só podiam contar com os braços do trabalho e com a voz dos argumentos, conseguia assim reunir os trabalhadores da floresta através do “ideal de que o homem pode conviver pacificamente com a natureza”.

E por sua história de luta que estar fortemente ligada aos momentos iniciais, da fundação do Partido dos Trabalhadores no Acre, merecidamente foi homenageado (in memoriam) por várias vezes, pelos governos passados, com a construção do Memorial Wilson Pinheiro, as homenagem de denominação de bens públicos como: Ponte da Amizade Wilson Pinheiro (que liga Brasileia à Cobija-Pando, o Polo Agroflorestal Wilson Pinheiro, Escolas rurais e Associações Comunitárias Rurais que também receberam seu nome. Tendo recebido para além desses tributos, o Titilo de Cidadão Acreano, a Homenagem dos 100 de Revolução Acreana e condecorado no Rio de janeiro, com a “Medalha Tortura Nunca Mais”.

Ao considerar tais beneméritos, os vereadores das referidas bancadas prestam essa justa homenagem ao saudoso Wilson Pinheiro, reconhecendo seu legado de luta, por sua dedicação a essa terra e significativas contribuições, prestadas por meio dos movimentos sindical e social, de grande relevância para este município e fundamental para a política de desenvolvimento socioeconômico, sustentável e de demarcação de reservas, de consciência ambiental, e que tem inspirado gerações a construir um Acre melhor, marcando assim as digitais desse líder., estes edis congratulam- -se com a família do homenageado.

Brasileia-Acre, 21 de julho de 2020.

Presidente da Câmara Rogério Pontes de Sousa (PROS)

Mário Jorge Gomes Fiesca (PROS)

Antônio Francisco Araújo do Nascimento (PT)

Francisco Eduardo Menezes de Queiroz (PT)

Rosildo Rodrigues de Freitas (PT)

Joelso dos Santos Pontes (PP)

Charbel Reis Saady (PSL)

José Roberto da Silva (PSB)

Rozevete Honorato de Souza (PSB)

Reinaldo da Silva Gadelha (MDB)

Marcos Tibúrcio dos Santos (MDB)