O mesmo Noronha que livrou Bolsonaro de mostrar os exames da Covid-19 tempos atrás, agora livra Queiroz da cadeira, o faz-tudo de Bolsonaro e, de lambuja, a mulher de Queiroz, que está fugitiva, recebe o mesmo indulto do juiz que, por coincidência, é o mesmo juiz a quem Bolsonaro prometeu uma cadeira no STF.

E tem gente nesse país que ainda diz que confia na justiça. Por isso tenho inveja dos tolos, principalmente num período em que boa parte da classe média letrada passou a acreditar que a terra é plana.

Nessa guerra entre estrelas da “moralidade nacional”, Bolsonaro e Moro, o que parece é que, no racha entre os dois, cada rato ficou com a metade do queijo dentro das quatro linhas do aparelho judiciário do Estado brasileiro.

O interessante é que nessa guerra, que começou há pouco tempo entre os sócios do poder, Moro, como ministro da Justiça e Segurança Pública e capanga da família Bolsonaro faz de conta que não sabia aonde Queiroz estava escondido, o que, imediatamente provoca uma coceira especulativa que propõe uma reflexão se não foi o próprio Moro que deu para o MP o endereço em que Queiroz estava e a polícia chegar no local e na hora certa para prendê-lo.

Teoria à parte, Bolsonaro, que está mexendo os seus pauzinhos contra Moro nesse viciado mundo jurídico, mostrou que também tem os seus anjos da guarda. Mais do que isso, tem cacife, uma cadeira do STF, já agora em novembro para colocar num balcão de negócios, dependendo somente acertar o preço.

Tudo isso nos leva a pensar no quanto esse país está podre e na centenária frase de Machado de Assis sobre o Brasil: “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”. Antropofagista