Em um grupo de Whatsapp, uma mensagem com o nome do homem que derrubou cruzes na praia de Copacabana na última quinta-feira (11), em um ato pelas vítimas do novo coronavírus no Brasil, pergunta se alguém viu sua atitude e diz que “não resistiu”.

A mensagem, com o nome de Hequel Ozorio, diz: “Alguém viu minha indignação derrubando cruzes que a esquerda montou em Copacabana hoje? Não resisti.” O autor também manda uma foto de uma reportagem sobre o ato.

O homem que derruba as cruzes é Héquel da Cunha Osório, de 78 anos, aposentado. Nos anos 90, foi presidente Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG-RJ) e tem uma empresa de consultoria de engenharia.

O ato da ONG Rio de Paz fez 100 covas rasas e colocou 100 cruzes nas areias de Copacabana, simbolizando as mais de 40 mil vítimas do novo coronavírus no Brasil.

Presidente da ONG, Antônio Costa nega que o ato tivesse viés político-partidário: “Nós não temos nenhum vínculo político-partidário, pra ser franco, entre nós não há partido político que nos encante, nenhum de nós é comunista, não temos a mínima admiração pela Venezuela. O que nós queremos o aperfeiçoamento da nossa democracia, o que nós queremos é um país menos desigual, e no qual a santidade da vida humana seja respeitada”.

Além da cena de Hequel derrubando as cruzes, outra imagem viralizou após a manifestação foi a do pai de uma vítima do coronavírus recolocando as cruzes. Marcio Antônio tinha perdido o filho de 25 anos no dia 18 de abril e foi surpreendido – segundo ele de forma positiva – ao ver a manifestação enquanto caminhava no calçadão.

Mensagem em grupo de Whatsapp é atribuída a homem que derrubou cruzes em Copacabana — Foto: Reprodução / TV Globo

“Naquele momento ali, eu não tinha raiva, eu não tinha ódio. Eu não tava fazendo protesto nenhum, assim, foi só uma emoção de pai mesmo. De indignação, a palavra é essa mesmo: indignação pra aquele ato, a falta de respeito. Você lembrar, vem tudo aquilo na cabeça o que você passou e vem uma pessoa ali, chutando aquilo, derrubando. Não tava fazendo mal algum a ele, meu Deus do céu. Eu tava tão feliz, porque eu falei: poxa, uma homenagem, uma homenagem para as vítimas. Senti um pouco no coração aquele saudosismo”, disse ele ao Fantástico.

O filho de Márcio, Hugo morava em uma comunidade quilombola na Zona Sul do Rio. Não tinha nenhuma doença crônica. Era professor de dança e DJ. Sofreu 15 dias com a doença e chegou a dizer para o pai que achava que não ia aguentar.

“Você chegar e chutar uma representação que tá representando uma pessoa, uma vítima… Iisso não é liberdade de expressão. Isso é apenas raiva, ódio, é nem sei o nome pra dar pra isso”, diz Márcio, que também afirmou que ainda tenta entender como alguém foi contra um ato “pela vida”.

“Cada cruz representada ali era uma pessoa, não era um número. Meu filho não é um número. existem mais de quarenta mil mortos, mas são pais, filhos, amigos, parentes, e aquelas pessoas que estão ali não são negras, brancas, não são nada, são pessoas de todas as tendências políticas, meu Deus do céu. Que loucura é essa? Que falta de humanidade é essa ?”, questiona.

O Fantástico também tentou falar com Héquel, mas a filha disse que não iriam se pronunciar.

Um homem recolocou as cruzes do protesto que foram arrancadas. Ele disse que perdeu o filho pra Covid-19 — Foto: Reprodução redes sociais

Com informação – Fantástico