Ismael Moares – O presidente Jair Bolsonaro retomou a ideia de nomear reitores de universidades federais no país, editando uma MP (Medida Provisória) autorizando o ministro da Educação, Abraham Weintraub, escolher reitores temporários dessas instituições de ensino superior durante o período de pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro e Weintraub lutam para intervir contra o processo democrático de escolha dos reitores desde o ano passado. A nomeação dos reitores, sem a escolha da comunidade, é um sonho do Palácio do Planalto e do chefe do MEC. Eles acreditam piamente que as universidades federais são um “antro de comunistas”, por isso a necessidade de acabar com a eleição direita.

A MP foi publicada na edição desta quarta-feira (10) do “Diário Oficial da União” (DOU) e já está em vigor. O texto precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 120 dias sob pena de caducidade.

O texto da MP exclui a necessidade de consulta a professores e estudantes ou a formação de uma lista para escolha dos reitores.

“Não haverá processo de consulta à comunidade, escolar ou acadêmica, ou formação de lista tríplice para a escolha de dirigentes das instituições federais de ensino durante o período da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente da pandemia da Covid-19”, diz um trecho da MP.

O presidente da presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), reitor João Carlos, afirmou em nota que a entidade tomará medidas políticas e jurídicas necessárias.

“A Andifes, com a urgência que o tema requer, está tomando as providências cabíveis, mantendo contato com parlamentares, juristas e entidades, para coordenar as ações pertinentes à contestação dessa MP, que atenta de forma absurda contra a democracia em nosso país e a autonomia constitucional de nossas universidades”, disse o reitor.