Entre as mortes por Covid-19 confirmadas neste sábado (6) pela Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) está a de uma bebê de seis meses de vida. Apesar de o boletim não especificar, a vítima é uma criança da etnia Kaxinawá da aldeia Recreio, que fica no Rio Purus, em Santa Rosa, interior do estado.

A informação foi confirmada pela Saúde indígena do município. O Distrito Sanitário Especial Índigena (Dsei) do Alto Purus também confirmou a morte, mas disse que deve mandar nota depois que tiver com toda a documentação em mãos.

A bebê da etnia Kaxinawá estava internada no Hospital da Criança, em Rio Branco, desde terça-feira (2) e morreu no dia seguinte, quarta-feira (3). Ítalo Dutra, enfermeiro da Saúde indígena em Santa Rosa do Purus, disse que a equipe médica que está na aldeia percebeu que a criança estava desnutrida, então foi feito o resgate até a cidade.

“A enfermeira que está na aldeia avaliou a criança e viu que ela estava com uma desnutrição grave. Levamos até o hospital da cidade, onde ficou em avaliação, mas no outro dia teve que ir para Rio Branco”, explica.

Ele diz que não há registros de outros casos de Covid-19 na aldeia ainda. Porém, a mãe da criança fez o teste, que deu negativo, mas continua sendo monitorada.

“Antes desse caso, nós tínhamos testado apenas um Kulina, que, inclusive, ainda está na cidade sendo monitorado e recebendo todo o suporte. A mãe da criança está na cidade de quarentena porque teve contato com a criança e estava em contato com uma assistência social que deu positivo também”, disse.

A indígena, segundo o enfermeiro, está na sede da Casa de Saúde do Índio (Casai) da cidade. “Ela está sendo monitorado desde que a bebê veio para a cidade”.

O Dsei Alto Purus, que atende aldeias do Acre e outros estados registrou, até este sábado, 38 casos confirmados de Covid-19 , 27 descartados e 2 óbitos, mas não especificou quais casos são no Acre. Os dois óbitos são de aldeia do Amazonas.

‘Genocídio indígena’

Ao confirmar o primeiro caso de Covid-19 entre indígenas, o vice-prefeito de Santa Rosa do Purus, Nego Kaxinawá, disse que temia que um genocídio ocorresse nas aldeias por conta do vírus. Na época, um Kulina foi atestado com a doença e uma enfermeira da etnia Kaxinawá, que prestava atendimento nas aldeias, também estava com Covid-19.

Ele pediu ainda intervenção dos órgãos fiscalizadores porque faltavam insumos para atender nas aldeias.

Após o registro, a Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-AC) pede que indígenas com a doença que vivem nas cidades sejam notificados especificamente nos boletins epidemiológicos oficiais. Em nota, a comissão informa que o registro dos primeiros casos requer essa subnotificação e segue um pedido do movimento indígena no Brasil.

Até este sábado (6), Santa Rosa do Purus registra 46 casos da doença. Não é especificado quantos indígenas estão afetados, mas cidade isolada do estado é composta por muitas etnias. Do G1 Acre