Assessoria – Com apoio das secretarias de Saúde estadual e municipal, equipes do Ibope iniciaram nesta quinta-feira, 4, no Acre, a segunda fase de uma pesquisa nacional que pretende levantar, por amostragem, o número de casos de infecção pelo novo coronavírus entre a população, incluindo os testes rápidos para Covid-19 e pessoas que não tem sintomas da doença.

Moradores de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, cidades com maior registro de casos de contaminação pela Covid-19 no estado, foram os escolhidos para participar da investigação, que segue até sábado, 6, e implica na administração de teste sanguíneo rápido por punção digital, com o consentimento do entrevistado.

Em ambas as cidades que participam da pesquisa no Acre serão realizadas 250 entrevistas, sendo divididas em 25 Setores Censitários/IBGE e 10 domicílios. De acordo com o superintendente estadual do Ministério da Saúde no Acre, Éden Carlos Miranda, durante a investigação, caso algum entrevistado teste positivo para coronavírus, os demais moradores da casa passarão pela testagem. 

“Foi feito todo um mapeamento dos bairros de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, onde casas foram sorteadas para participar da pesquisa. Serão feitos testes rápidos e entrevistas para saber dos moradores se no período de 30 dias alguém da família já foi acometido ou teve sintomas da doença”, explica o superintendente.

No segundo dia da pesquisa, nesta sexta-feira, 5, uma moradora da Baixada da Sobral, em Rio Branco, considerada do grupo de risco, testou positivo para coronavírus, conforme informou o superintendente do Ministério da Saúde, no Acre.

“Em um momento em que a pandemia continua avançando no país, o conhecimento verdadeiro do número de infectados é de fundamental importância para propor quaisquer medidas relacionadas à prevenção e ao prognóstico da infecção. Apesar de uma moradora de Rio Branco ter testado positivo para a Covid, seus filhos tiveram resultado negativo para a doença. Com o diagnóstico, a partir de agora, os moradores da casa terão todos os cuidados necessários para que ninguém mais da família seja contaminado”, enfatiza Mirando.

A pesquisa, intitulada Epicovid19-BR, que conta com 2,6 mil pesquisadores do Ibope Inteligência, é fruto de uma parceria com a Universidade Federal de Pelotas (RS), tendo como patrocinador o Ministério da Saúde, que visa investigar a prevalência do coronavírus e avaliar a velocidade de expansão da Covid-19 no país.

Entenda como é feita a pesquisa e a visita às casas

O estudo inclui a cidade mais populosa de cada uma das 133 regiões intermediárias do país, que são divisões do território nacional definidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os pesquisadores que realizam as visitas estão identificados por um crachá do Ibope Inteligência e utilizam os Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs): máscaras, toucas, aventais, sapatilhas (todos descartáveis), óculos de proteção e luvas.

Todos os pesquisadores são testados e apenas aqueles que tiverem resultado negativo realizam as visitas domiciliares. Durante a visita, os pesquisadores coletam uma gota de sangue da ponta do dedo do participante, que será analisada pelo aparelho de teste em aproximadamente 15 minutos. Em caso de resultado positivo, os profissionais comunicam a Vigilância Epidemiológica local.

A primeira etapa, realizada entre os dias 19 e 21 de maio, forneceu as primeiras evidências sobre o percentual de pessoas com anticorpos na população de 90 de cidades brasileiras. Para cada diagnóstico confirmado, o estudo estimou que existem ao redor sete casos reais não notificados. Os números somam 760 mil pessoas que têm ou já tiveram o coronavírus, contra o total de 104.782 casos notificados nessas cidades.