A jornalista Joana Rozowykwiat fez uma sequência em sua conta do twitter, nesta quinta-feira (4), onde aponta a série de símbolos simultâneos que aparecem no caso do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos que morreu ao cair do nono de edifício de luxo no Recife, após ser negligenciado pela patroa da mãe, a primeira-dama de Tamandaré (PE) Sari Gaspar Corte Real.

Joana cita a quantidade de erros e disparidades que compõem o episódio: “a empregada que trabalha durante a pandemia; A empregada que não tem com quem deixar o filho; A empregada é negra; A patroa é loura; A patroa é casada com um prefeito; O prefeito tem uma residência em outro município, que não é o que governa”.

Leia abaixo:

Esse horror que é a morte do menino Miguel é a história com mais símbolos de que eu tenho lembrança:

A empregada que trabalha durante a pandemia; A empregada que não tem com quem deixar o filho; A empregada é negra; A patroa é loura; A patroa é casada com um prefeito; O prefeito tem uma residência em outro município, que não é o que governa;

A patroa tem um cachorro, mas não leva ele pra passear, delega; A patroa está fazendo as unhas em plena pandemia, expondo outra trabalhadora; A patroa despacha sem remorso o menino no elevador; O menino se chama Miguel, nome de anjo; O sobrenome da patroa é Corte Real;

A empregada pegou Covid com o patrão; A empregada consta como funcionária da Prefeitura de Tamandaré; Tudo isso acontece nas torres gêmeas, ícone do processo e verticalização desenfreada, especulação imobiliária e segregação da cidade do Recife;

Tudo isso acontece em meio aos protestos Vidas Negras Importam; Tudo isso acontece no dia em que se completaram cinco anos da sanção da lei que regulamentou o trabalho doméstico no Brasil; É muita coisa, muito símbolo.

BBC