Após a dona de casa Isabel Afonso denunciar em um vídeo que o filho Vinícius Afonso, de 17 anos, foi agredido por policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), o Ministério Público do Acre instaurou um procedimento para apurar o caso.

As agressões, segundo a denúncia, ocorreram na sexta-feira (29) na cidade de Plácido de Castro. De acordo com a mãe, o jovem tem problemas neurológicos e psiquiátricos.

A motivação para as agressões teria sido porque o rapaz não estava usando máscara, como é obrigatório por conta da pandemia do novo coronavírus.

O MP-AC informou que o promotor José Lucivan Nery de Lima instaurou o procedimento e solicitou que Conselho Tutelar acompanhe o caso, já que a vítima é menor de 18 anos.

O órgão solicitou ainda o envio do boletim de ocorrência, além de outros documentos como o exame de corpo de delito e os depoimentos dos envolvidos.

Em nota, a assessoria da Secretaria de Segurança do Acre informou que já tem conhecimento do caso e que foi aberto um procedimento para apurar a ação dos policiais do Gefron envolvidos na abordagem.

Relato das agressões

O adolescente, de acordo com a mãe, estava parado em uma motocicleta conversando com a namorada quando foi abordado pela polícia.

No vídeo, o rapaz conta como foi a abordagem. Ele diz que os policiais chegaram perguntando onde estava a máscara dele e a da jovem. Em seguida, os militares perguntaram a idade dele e, como é menor de idade, conta que ficou com medo de levarem a moto da mãe e acabou dizendo que não lembrava da idade.

Nesse momento, ele relata que um dos policiais deu um murro que acertou seu marcapasso e depois levou um ‘mata-leão’. Ao tentar se defender, acabou batendo no rosto do policial. Foi quando foi algemado e colocado dentro da viatura, onde teria levado vários murros.

“Eu estava algemado e o que eu acertei fisicamente estava dirigindo. Aí, ele desceu do carro e deu vários murros na minha cara, várias sequências de murros. Acho que mais de dez murros e disse que era para eu aprender. Quando me levou para a cela, outro [policial] disse: ‘deixa só tua mãe sair que tu vai aprender a bater em cara de policial’. Isso foi tipo uma ameaça para mim, já fiquei com medo”, diz o jovem.

‘Decepcionada’, diz mãe

Abalada, a mãe afirma que não é contra o trabalho da polícia de fiscalização e abordagem às pessoas, mas que deve ser feita de forma “educada” e “especializada”. Ela pede ainda que providências sejam tomadas.

“Eu estou muito decepcionada com o trabalho dos policiais do Gefron, porque vieram aqui, creio eu, para combater a pandemia e orientar os cidadãos a usarem máscara, falar do decreto e não chegar abordando pessoas na beira da rua já com agressões”, afirma a mãe.

Veja a nota da Segurança na íntegra:

Após conhecimento de uma notícia que relata uma suposta agressão por parte de integrantes do Grupamento Especial de Fronteira (Gefron) a um jovem durante abordagem no município de Plácido de Castro, nesta sexta-feira, 29, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça e Segurança Pública vem público informar que:

– Após a informação, foi determinado o deslocamento de um oficial do Gefron até o município;

– A guarnição do Gefron que atuava em Plácido de Castro foi removida do municío onde realizava a abordagem de fiscalização;

– A Secretaria de Justiça e Segurança Pública requisitou abertura de procedimento pelos órgãos de controle interno a que pertencem os envolvidos no caso, bem como convidará o Ministério Público do Acre (MPAC), através do controle externo, para acompanhar a apuração dos fatos.

Veja o Vídeo:

Por Iryá Rodrigues, G1 Acre