Apesar de ter mensagens retiradas do telefone do ex-ministro, a PF não fez ainda uma perícia no aparelho celular. (Foto: Pablo ValadaresCâmara dos Deputados | Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Integrantes da Polícia Federal que acompanharam o depoimento do ex-ministro Sergio Moro neste sábado (2) apontam que um dos próximos passos da investigação é obter os dados do telefone celular da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) ou conseguir um depoimento dela para que possam dirimir a suspeita de que Jair Bolsonaro participou da oferta de vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) horas antes de Moro pedir demissão do cargo, em 24 de abril.

Além de mensagens, delegados e procuradores agora têm em mãos áudios enviados por Bolsonaro e por outros integrantes do governo ao ex-ministro Sergio Moro. 

Apesar de ter mensagens do telefone do ex-ministro, a PF não fez ainda uma perícia no aparelho, porque esse procedimento envolve entregar o dispositivo eletrônico para uma cópia completa dos dados, verificação de autenticidade e análise do conteúdo.

Segundo os investigadores, apurar a suposta oferta de vaga no STF por Zambelli é uma aposta “muito boa” no curso das investigações.

Conversa sobre STF segue como peça central.

Um dos episódios que chamou a atenção de pessoas presentes ao depoimento ontem foi a oferta de vaga ao STF feita pela deputada Carla Zambelli ao então ainda ministro Sergio Moro, possivelmente entre o dia 23 e 24 de abril. Horas depois da proposta, o próprio presidente da República mencionou o fato em um pronunciamento ao lado dela.

As imagens das trocas de mensagens já tornadas públicas mostram uma conversa entre Zambelli e Moro por volta das 18h, possivelmente ainda na quinta-feira (23), quando já corriam rumores de que o ministro deixaria o governo caso o então diretor da PF, Mauricio Valeixo, fosse demitido.

Apurar essa linha de investigação é uma aposta “muito boa”, avaliou hoje uma fonte ligada ao caso. Seria preciso tomar o depoimento da deputada e, quem sabe, periciar seu celular. Isso poderia mostrar se, enquanto Carla Zambelli tratava com Moro, também discutia a oferta com o presidente Jair Bolsonaro, avalia essa fonte.

Ex-juiz reafirmou acusações contra Bolsonaro.

Moro prestou depoimento no sábado a partir do início da tarde. Só deixou a Superintendência da PF em Curitiba no início da madrugada de hoje.

Houve duas interrupções, para tomar café e jantar pizzas.

Três procuradores indicados pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, tomaram o depoimento junto com a chefe do Serviço de Inquéritos do PF em Brasília (Sinq), a delegada Christiane Corrêa. O diretor de Combate ao Crime Organizado da polícia, Igor Romário, acompanhou tudo, assim como outro delegado.

Moro estava acompanhado de quatro advogados, um deles o chefe da equipe, o criminalista Rodrigo Sánchez Rios. Por Eduardo Militão, do UOL.