O município de Assis Brasil vem passando por uma situação delicada em meio a esta pandemia do coronavírus, e a permanência dos 241 imigrantes, de pelo menos cinco nacionalidades.

Além de pensar em medidas para conter a contaminação de Covid-19, o prefeito Antônio Barbosa (zum) vem enfrentando outro impasse: o número de imigrantes retidos no município por conta do fechamento da fronteira do Peru com o Acre. No último dia 23, Zum decretou situação de emergência na cidade e pediu ajuda dos governos estadual e federal no custo de insumos e abrigo aos imigrantes.

A prefeitura, até o momento, tem dado todo o suporte para os abrigados e com isso a prefeitura afirma que, em 11 dias, gastou mais de R$ 7 mil apenas com alimentação. São 900 refeições por dia, entre café da manhã, almoço e janta. O gestor Zum destaca ainda que saíram dos cofres público, em menos de 15 dias, o valor equivalente a R$ 73.800 só para despesas com alimentação.

A prefeitura também está disponibilizando abrigos para acomodar os 241 imigrantes, divididos em dois abrigos da cidade que foram improvisados em escolas. Um na Escola Municipal Edilsa Maria Batista, onde estão 92 pessoas, sendo: 32 homens, 26 crianças e 34 mulheres, sendo que nove estão gestantes. Já o outro abrigo foi montado na Escola Estadual Iris Célia, onde estão acomodando 149 pessoas. Deste total, 40 são mulheres, delas 7 estão grávidas; 78 homens e 31 crianças.

Dentre o valor equivalente a R$ 73.800, ainda não foram contabilizados outros insumos, como gasolina, logística, materiais de consumo, energia e água potável que são necessários para manter o funcionamento dos abrigos. O pedido do prefeito é um apelo aos governos estadual e federal.

A Vigilância Sanitária do estado esteve nas duas escolas que servem como abrigo aos imigrantes na semana passada para dar orientações sobre o Covid-19 e informar sobre o estado de isolamento social que o Acre tem adotado.

“Não tenho mais como manter, a cidade não tem condições mais de arcar com esta despesa sozinha. Estou seriamente cogitando decretar estado de calamidade pública, caso o município não receba ajuda dos governos estadual e federal. Somos um município pequeno e não temos recurso para sustentar essa situação por muito tempo”, destacou o gestor.

Além de manter 900 refeições por dia aos imigrantes, a falta de profissionais para acompanhar os abrigos tem sobrecarregado as equipes. De acordo com a prefeitura, até agora, o governo estadual ajudou com 250 colchões e 100 sacolões, que já não tem mais. Além disso, o gestor recebeu R$ 1.470 do Fundo Municipal de Saúde. Porém, nada tem ajudado efetivamente no abrigo desses imigrantes.

“Não temos mais alimentos, não temos equipamentos ou insumos. Estou aguardando o término do decreto de emergência, que é dia 3 de abril. Só vou tolerar até lá. Não tenho mais condições, em hipótese alguma, de ter mais estrangeiros aqui”, desabafa.