Servidores da Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre) estão apavorados desde que o presidente e fundador da empresa, Manoel José, de 81 anos, testou positivo para coronavírus nesta quinta-feira (19). Eles ainda não foram liberados para quarentena mesmo após o diagnóstico do paciente.

Seu Manoel José mora nas dependências da Cooperacre. Cerca de 70 servidores trabalham no local, que recebe ainda grande circulação de pessoas para abastecimento de produtos de extrativismo. Aproximadamente 150 circulam diariamente no espaço.

Alguns desses funcionários tiveram contato próximo com o idoso ao longo da semana e, segundo recomendações das autoridades em saúde, precisam entrar em quarentena imediatamente para evitar propagação do vírus, caso tenham se contaminado.

Porém, a direção da empresa informou que só vai liberar quem apresentar sintomas, ignorando que o contágio se dá mesmo antes da doença apresentar sinais. A Cooperacre anunciou também que suspendeu por 20 dias as visitas e atendimentos aos produtores e clientes.

Há cerca de 15 dias, o presidente da Cooperacre esteve com um homem vindo da Itália, país mais castigado pelo coronavírus, para fecharem negócios. Suspeita-se que ele tenha adquirido a doença a partir desse encontro. Os sintomas no idoso começaram na segunda (16).

Segundo informações, mesmo após o diagnóstico o homem foi visto transitando pela empresa. Ele não teria recebido orientações de isolamento por parte de unidade de saúde particular que procurou após ter atendimento negado na UPA do Segundo Distrito, de acordo com a direção da Cooperacre.

Mesmo estando em grupo de risco, o homem não foi internado pelo governo e só entrou em isolamento em casa na noite de sexta. Ele sente febre alta, tosse e cansaço. Por Leandro Chaves / Contilnet