A técnica de enfermagem Karen Macambira, de 36 anos, foi agredida nesta terça-feira (11) por uma paciente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito de Rio Branco.

Ela levou um tapa no rosto e teve o cabelo puxado por uma mulher que queria tomar a medicação antes dos outros pacientes, conforme relatou a servidora.

Karen contou que trabalhava na sala de medicações quando uma paciente chegou com uma ficha de classificação verde [pouco urgente] e disse que tinha prioridade.

“Ela mostrou a ficha e era classificação verde e falei: ‘você vai esperar eu atender dois pacientes com classificação amarela [atendimento urgente] que estão precisando tomar tramal e faço a sua medicação’. E ela disse que era prioridade porque é paciente do Hosmac [Hospital de Saúde Mental do Acre]”, contou.

A servidora pública disse que a paciente sempre chega e quer ser atendida com prioridade.

“Ela procurou o serviço social que sempre coloca ela na frente, ontem [terça-feira, 11] tinha muitos pacientes com dor e precisavam tomar tramal. Ela chegou na sala gritando, dizendo que a assistência social tinha mandado ela tomar um remédio, que ela era prioridade. Respondi: ‘tudo bem, só que você só vai tomar um diclofenaco e uma dipirona. Não está com tanta dor. Tem paciente com mais dor que você'”, explicou Karen.

A mulher teria procurado novamente a assistência social e a técnica explicou o motivo pelo qual ela não passaria na frente dos outros dois pacientes novamente.

“Foi quando ela disse que ia me bater e eu duvidei. Ela disse: ‘vou te bater’. Respondi: ‘você não vai me bater e não vou mais lhe atender, outra pessoa vai lhe atender’. Foi nessa hora que ela me bateu e puxou meus cabelos e arrancou meu relógio. Apanhei muito porque não podia revidar, se não ia perder minha razão”, contou.

A servidora pública, que trabalha na área há 16 anos, contou que nesta quarta-feira (12), não compareceu ao trabalho e está dolorida por causa da agressão. Além disso, ela ressalta que não ficou com hematomas.

“Ela é uma paciente mental, mas nada justifica a agressão dela. O que aleguei na delegacia é que pessoas doentes mentais não devem frequentar um hospital sozinhas. E ela usa do fato de tomar medicamento controlado para se beneficiar dos atendimentos”, ressaltou.

Além disso, Karen lamenta pela situação de violência que os servidores estão expostos nas unidades de saúde.

A servidora registrou um boletim de Ocorrência na Delegacia de Flagrantes (Defla).

“O problema é que a violência se instalou nos hospitais de um jeito que a gente está perdendo o controle. Eu, particularmente, tento tratar todo mundo bem, porque tem comentários dizendo que foi merecido. É um absurdo”, conclui. Por Alcinete Gadelha, G1 Acre