Em protesto, concursados exigem nomeação do governo para trabalhar — Foto: Aline Vieira/Rede Amazônica Acre

Aprovados no concurso da Polícia Civil do Acre fizeram um protesto, na manhã desta quarta-feira (22), para cobrar as nomeações por parte do governo. O ato foi realizado em frente da Secretaria de Segurança Pública, no Centro de Rio Branco.

O protesto ocorre em meio à crise na segurança pública no estado acreano, que vem registrando uma série de assassinatos, roubos e uma fuga em massa no maior presídio do estado. Até esta quarta, 31 pessoas foram mortas de forma violenta em Rio Branco e nas cidades do interior, sendo que seis das vítimas morreram em uma chacina, na Rodovia Transacreana.

Na madrugada de segunda (20), 26 presos do pavilhão L do Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde (FOC) fugiram. Os detentos utilizaram lençóis para pular o muro da unidade. Destes, sete já foram recapturados.

Uma semana antes, na segunda (13), outros quatro detentos do pavilhão P do FOC quebraram o alambrado que fica ao redor do pavilhão e deixaram a unidade. Nenhum deles foi capturado até o momento.

“O principal objetivo da manifestação é demonstrar que estamos preparados, temos aqui delegados, agentes de polícias, auxiliares de necrópsia e escrivães que fizeram o curso em 2019, passamos quatro meses preparados para atuar na inteligência e investigação e estamos prontos para atuar em prol da segurança pública e da sociedade”, criticou Cássio Ferreira, agente de polícia.

Em entrevista à Rede Amazônica Acre, o secretário de Segurança Pública em exercício, coronel Ricardo Brandão, garantiu que o governo está empenhado em fazer a convocação dos aprovados. Segundo Brandão, a expectativa é de nomear os novos profissionais entre os meses de março e abril.

“Pedimos a compreensão desses jovens para a situação do estado do Acre. O governo entende a necessidade da convocação dos profissionais, mas precisamos compreender a situação na qual passa o Acre, temos que buscar um ponto de equilíbrio”, resumiu.

Ainda segundo Cássio Ferreira, após o curso de formação, concluído em quatro meses, o governo pediu 59 dias para anunciar a nomeação. O prazo não foi cumprido, e o governo garantiu que chamaria os profissionais no mês de janeiro de 2020.

“O que não aconteceu também. Pediu novamente um prazo, para que até maio fôssemos nomeados, só que sabemos que o Acre vem passando por uma onda de violência e que investimento em segurança pública é necessário e estamos prontos para atuar”, frisou.

Para a escrivã Layra Bessa, não há sentido em reforçar parte do efetivo da segurança pública se não há pessoal para trabalhar nas delegacias e investigações. De acordo com a concursada, as forças de segurança precisam ser somadas.

“Não estamos aqui nos manifestando contra o governo, não é nada desse tipo, só queremos ser chamados e trabalhar. Contribuir para a sociedade acreana, principalmente nesse momento. Precisa dessa soma, da Polícia Militar nas ruas, mas quando o procedimento chegar à delegacia fica parado. Não é só armamento, precisamos também de efetivo”, concluiu. Do G1 Acre