Sergio Moro já afirmou incontáveis vezes que não cogita inaugurar uma carreira política. Também já declarou que conquistar uma vaga no Supremo Tribunal Federal “seria como ganhar na loteria”. 

Sob o argumento de que respeita a hierarquia, Moro evitou comentar atitudes de Jair Bolsonaro. Mas só até certo ponto. Não se privou de reiterar suas críticas à figura do juiz de garantias, sancionada pelo presidente. Questionado sobre o convívio com colegas encrencados, como o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, Moro disse que a Polícia Federal faz a sua parte. E lavou as mãos, esclarecendo que cabe à Justiça e ao presidente completar o serviço.

Convidado a comentar polêmicas nas quais Bolsonaro se mete, o ministro afirmou que não lhe cabe ser “comentarista político”. Mas não perdeu a oportunidade de classificar como “bizarro” o vídeo de inspiração nazista que levou à demissão de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura. Sobre 2022, Moro reiterou que não tem “esse tipo de ambição”. Mas disse que não assinaria um documento dizendo que não será candidato. Argumentou que muitos já assinaram e “depois rasgaram.”

Equilibrando-se entre os limites hierárquicos e a conveniência pessoal, Moro revelou-se o subordinado mais perigoso de Jair Bolsonaro. Ficou boiando na atmosfera a sensação de que o ministro está mais próximo das urnas de 2022 do que da poltrona de Celso de Mello, primeiro assento a ser desocupado no Supremo, em novembro de 2020. Bolsonaro potencializa essa impressão ao dizer que pretende enviar à Suprema Corte um advogado “terrivelmente evangélico”. Na entrevista, Moro informou, a propósito, que é católico. Por Josias de Souza – Colunista do UOL

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