Para quem acredita que a situação da segurança pública no estado do Acre está tão ruim que não tem como piorar, se surpreende ao saber que diante de todo o caos público, proveniente do número elevadíssimo de homicídios e de fugas do maior presídio da Capital acreana, e uma das aeronaves do estado estar parada devido um acidente de trânsito (que poderia ter sido evitado), as maiores autoridades do estado estão ausentes do Acre.

Tanto o governador Gladson Cameli, o vice-governador Major Rocha, o Comandante da Polícia Militar, Ulysses Araújo e o secretário da segurança pública, Paulo César, estão fora do Estado.

E pior que ausência destes, é a população, cidadãos de bem aguardando uma resposta das autoridades acima mencionadas sobre os 20 primeiros dias do ano, onde 30 pessoas foram executadas de forma violenta e 30 fugas do presídio Francisco de Oliveira Conde foram registradas. Até o momento nem o Governador Gladson e nem o Vice-governador Major Rocha (que se intitulou o chefe da pasta) se pronunciaram a respeito.

Já o Comandante Geral da Polícia Militar, Ulysses Araújo, se pronunciou (mas pelo que ele disse era melhor ter ficado calado) pois o seu pronunciamento repercutiu de forma negativa nas redes sociais, devido Ulysses ter afirmado em uma entrevista que a questão das facções no Acre é besteira e culpou a imprensa pela criminalidade.

Mas vale lembrar que, ao assumir o comando da polícia militar, Ulysses afirmou em vídeo o seguinte: “A importância, é as pessoas tomarem conhecimento da mudança que nós queremos para o nosso país, da mudança verdadeira que nós queremos para o nosso estado do Acre; nós não somos aquela política de toma lá dá cá”.

Mas ao que parece Ulysses não colocou em prática suas expectativas com relação a mudança verdadeira que eles queriam para o estado. 

O secretário de segurança pública, Paulo César, afirmou à imprensa, logo após ser empossado para o cargo, que não precisaria de 120 dias (os três meses) estipulados pelo governador Gladson Cameli (PP), para apresentar resultados e, sim, de apenas 10. Paulo César afirmou que colocaria em prática um plano previamente traçado de combate imediato à violência que assola o Acre e que precisaria de apenas 10 dias para devolver aos acreanos a sensação de segurança perdida diante do avanço da criminalidade.

Já o vice-governador Major Rocha sempre teve como bandeira política a afirmação de que a guerra contra os bandidos foi perdida porque os governos petistas não ajudaram de forma suficiente a PM. Agora que ele está no poder, e a situação continua de mal a pior, qual será a percepção dele, pois até agora a sociedade acreana está esperando um pronunciamento dele, afinal o sistema de Segurança Pública, encontra-se sob a sua órbita de influência.

Enfim, foram tantas as declarações de que o bem venceria o mal e que a paz voltaria a reinar no solo acreano, mas infelizmente a realidade é uma totalmente diferente daquilo que um dia foi dito pelas atuais autoridades.

Quem sabe quando o governador Gladson Cameli, vice major Rocha e a cúpula da segurança pública reconhecerem que não tem o controle da atual situação e solicitarem apoio do governo federal, de forma que exijam a fiscalização total e permanente das fronteiras do Acre e o governo do estado, ao invés de ficar exibindo suas aeronaves no meio da rua, decida colocar essas aeronaves para fiscalizar as áreas fluviais do estado, aí sim a situação pode mudar. Caso contrário, qualquer tentativa de acabar com a criminalidade, enquanto as rotas do tráfico de drogas, armas e outros males estiverem abertas, será inútil.