O pai da menina que engravidou aos dez anos foi encontrado morto dentro de casa, na manhã quinta-feira (16), no município de Tarauacá, no interior do Acre. O delegado Valdinei Soares, que investiga o caso, disse que foi suicídio.

De acordo Soares, o pai era um dos investigados no caso e já tinha sido ouvido duas vezes pela polícia. “Ele negou os fatos e disse que estava disposto a fazer o exame de DNA e estava esperando essa questão. Para mim, foi uma surpresa ele aparecer morto”, afirmou.

A menina chegou a ser levada pelo pai à maternidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para fazer um aborto, mas ele não autorizou a interrupção da gravidez.

O caso está sob segredo de Justiça e, por isso, a polícia não revelou quem são os parentes investigados. Desde que o caso foi descoberto, no dia 19 de dezembro do ano passado, a criança está em Rio Branco fazendo acompanhamento da gravidez e tendo apoio psicológico, segundo informou o delegado.

A história veio à tona depois de uma postagem da vereadora de Tarauacá Janaína Furtado (Rede). “Estarei acompanhando o desfecho desse caso que só nos entristece”, escreveu ela.

Um vizinho da família está preso desde o dia 20 de dezembro suspeito de abusar da menina. Ele foi ouvido pela polícia e negou o crime. O delegado pediu a revogação da prisão do homem no início de janeiro mas a Justiça ainda não concedeu.

O caso surpreendeu os médicos e está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar, Tribunal de Justiça e Ministério Público do Acre (MP-AC). A investigação é da Polícia Civil de Tarauacá, cidade onde a menina vivia com o pai e uma irmã. A mãe da criança mora em um seringal na cidade de Jordão.

Várias pessoas já foram ouvidas sobre o caso, entre familiares, a criança, e conhecidos. Com a morte do pai, o delegado disse que vai aguardar o nascimento do bebê para fazer o exame de DNA.

“Foi recolhido o sangue desse senhor [pai da menina grávida] para fazer o DNA e vai ser encaminhado ao IML e do homem [vizinho] que está preso. A providência é esperar a criança nascer para fazer o exame de DNA e ver se um dos dois suspeitos foi ou não o autor do estupro”, explicou.