O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) foi fundado em 6 de Junho de 1981 para auxiliar e ajudar a amenizar o sofrimento das pessoas atingidas pela doença, tendo por finalidade promover medidas educativas que visem a prevenção, o diagnóstico precoce, o tratamento, a reabilitação, a promoção social, a conscientização e o resgate da cidadania da pessoa atingida pela enfermidade, objetivando sua reintegração social.

O MORHAN teve como principal fundador o Sr. Francisco Viera Nunes (in memoriam), popularmente conhecido como Bacurau, que após ser acometido pela hanseníase, passou muito tempo residindo na Casa de Acolhida Souza Araújo, localizada em Rio Branco (lugar onde desde 1927 abriga os hansenianos, antigamente conhecido como leprosário), Bacurau sentiu na pele o sofrimento proveniente do preconceito da sociedade no qual os portadores da doença foram vítimas, mas no decorrer do seu isolamento, Bacurau teve a oportunidade de ir para o Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru (SP), onde lá começou uma discussão na intensão de se criar um movimento que lutasse pela reintegração daquelas pessoas na Sociedade.

A sociedade acreana sabe como as pessoas atingidas pela hanseníase foram levadas para o isolamento. Elas eram orientadas a não virem para a cidade, ficavam afastadas de suas famílias. Era um isolamento compulsório. Pais foram separados de filhos, famílias foram desfeitas, vidas foram destruídas e isso teve continuidade em 1981 e foi mais além, as pessoas eram sujeitas a esse isolamento total da sociedade. Se perguntarem para uma pessoa vítima da hanseníase. Quais foram os maiores desafio diante do diagnóstico da hanseníase? A resposta é a mesma: o isolamento e o preconceito!!! Além dos hansenianos sofrerem em ver seus membros sendo amputados devido a doença, o preconceito formou uma lacuna no coração dessas pessoas.

A exclusão era tanta que em Cruzeiro do Sul, os hansenianos que não resistiam e iam a óbito não eram sepultados nos cemitérios junto com os demais falecidos, foi criado um cemitério para sepultar somente pessoas que foram atingidas pela enfermidade e que morava dentro do antigo leprosário, localizado no bairro do Remanso, outrora este espaço de descanso eterno ficava dentro da área da colônia onde abrigava os hansenianos, hoje este cemitério encontra-se abandonado.

Um educandário também foi criado e fundado na década de 40/50 no município de Cruzeiro do Sul, por ser a segunda maior Cidade do Estado do Acre, onde foi construído com a principal finalidade de abrigar as crianças que vinham do antigo leprosário, ali abrigava as crianças separadas dos pais devido a hanseníase, cerca de mil filhos foram separados bruscamente de seus pais. A prática do isolamento que era imposta pelo governo, na época, foi realizada até o ano de 1986, amparado pela lei federal Nº 610 de 13 de janeiro de 1949: Todo e qualquer censo ou atualização censitária será devidamente documentado, devendo constar dos modelos apropriados as informações referentes aos doentes, suspeitos e “contatos”. No artigo 1º, “parágrafo lll- Isolamento compulsório dos doentes contagiantes”, que naquela época determinava que toda e qualquer pessoa atingida pela Hanseníase deveria ser retirada do meio da sociedade.

E isso ocasionou muitos danos a cerca de 650 pessoas acometidas pela doença no estado, principalmente danos emocionais. Muitos dos hansenianos dizem que naquela época eles não eram tratados como pessoas, mas sim como bichos. Sem mencionar outras 150 pessoas que viveram em isolamento domiciliar.

Mas com a criação do MORHAN, foi formado uma Coordenação a nível nacional e dai em diante foram criando coordenações estaduais e os municípios onde se tem voluntários, cria-se um núcleo, todos sem fins lucrativos. No Acre foi criado uma coordenação estadual, onde a sede fica localizada em Rio Branco, um núcleo também foi criado no município de Cruzeiro do Sul, e com isso soma-se a coordenação nacional nas ações, já nos municípios é feito um trabalho de formiguinhas, onde se visita as escolas, unidades de saúde, acompanha a questão do atendimento de saúde nos municípios às pessoas atingidas pelo hanseníase, para saber se de fato está sendo realizado da forma como preconiza a legislação, ou seja, um pouco de controle social.

Foi através do MORHAN que os hansenianos começaram a ser de fato tratados como deveriam, nos dias de hoje, a região do Juruá conta com um hospital dermatológico em Cruzeiro do Sul, onde acontece a prática de funcionamento do Hospital composto por uma oficina ortopédica que atende as pessoas com hanseníase, lá disponibiliza profissionais e já dispôs de insumos e equipamentos, mas atualmente não está havendo equipamentos necessário para dar continuidade ao serviço de atendimento às pessoas atingidas pela doença.

O Movimento através da sua luta e busca de reparos do governo federal aos danos causados na vida das pessoas acometidas pela hanseníase, foi aprovado a lei de nº 11.520 de 18 de setembro de 2007: Dispõe sobre a concessão de pensão especial às pessoas atingidas pela hanseníase que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios. No artigo 1º- Fica o Poder Executivo autorizado a conceder pensão especial, mensal, vitalícia e intransferível, às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia, até 31 de dezembro de 1986, que a requererem, a título de indenização especial, correspondente a R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais). Pode-se dizer que esta foi uma grande conquista do MORHAN para com os hansenianos.

Mas o MORHAN no Acre visa uma outra conquista semelhante a da Lei 11.520, o Movimento está na luta para que os filhos que foram separados de seus pais devido o isolamento compulsório, ou seja, quando um pai ou a mãe eram atingido pela hanseníase, e com isso retirado da sociedade e levado para o antigo leprosário, hoje denominados de ex-hospitais colônia onde acontecida a separação da família e essa separação não acontecia de forma harmoniosa, mas sim de forma agressiva, pois naquele momento entendia-se que aquelas pessoas estavam condenadas a exclusão do leito familiar para sempre e aquelas crianças separadas dos pais ficavam a mercê da sociedade sujeitas as muitas situações que trouxeram danos irreversíveis a essas pessoas.

O objetivo do MORHAN quanto a esta questão, trata-se da aprovação de um projeto de lei que está tramitando na Câmara Federal, na Comissão de Finanças e Tributos, onde se aprovado for, garantirá uma pensão vitalícia em caráter indenizatório aos filhos que foram separados dos pais e que sofreram danos, e a intensão é que esse projeto seja aprovado no congresso nacional e sancionado.

No Acre, o MORHAN ganhou uma grande aliada nesta luta que é a Deputada Estadual Maria Antônia (PROS) que abraçou esta causa desde seu primeiro mandato, já totalizam 11 anos de apoio ao movimento, inclusive um projeto de lei de autoria desta parlamentar foi aprovado na Assembleia Legislativa e faz parte de um projeto reivindicado pelo Movimento que reconhece a prática de isolamento e internação compulsória de pessoas atingidas pela hanseníase até dezembro de 1986. Várias pessoas passaram pelo confinamento, sendo afastadas do convívio de seus familiares, algumas não sobreviveram. Membros do Mohan pedem agora que o governador Gladson Cameli (PP) regulamente a lei, que já foi sancionada pelo Poder Legislativo Acreano e que o Estado venha dar um certificado de reconhecimento da prática de isolamento domiciliar.

O Brasil ocupa, hoje, o segundo lugar no ranking mundial em número de casos de hanseníase, ficando atrás apenas da Índia. Conseguiu-se a redução da taxa de prevalência e o aumento de casos tratados com a medicação específica, porém, apesar dos esforços, a meta de eliminação para o país ainda não foi atingida. Dentre os fatores que impediram alcançar a meta estão a permanência de casos não diagnosticados e a prevalência oculta, condições responsáveis pela manutenção de fontes de contágio na população.

O que é Hanseníase?

A hanseníase, conhecida antigamente como Lepra, é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo território nacional. Possui como agente etiológico o Micobacterium leprae, bacilo que tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, com capacidade de ocasionar lesões neurais, conferindo à doença um alto poder incapacitante, principal responsável pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas pela doença.

A infecção por hanseníase pode acometer pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. Entretanto, é necessário um longo período de exposição à bactéria, sendo que apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece. A hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade. As referências mais remotas datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, são consideradas o berço da doença.

Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase são:

Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas; áreas com diminuição dos pelos e do suor; dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das perna; inchaço de mãos e pés, diminuição sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos; úlceras de pernas e pés; caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos; febre, edemas e dor nas juntas; entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz; ressecamento nos olhos.

Como é feito o diagnóstico da Hanseníase?

O diagnóstico de caso de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, realizado por meio do exame geral e dermatoneurólogico para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.

Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige avaliação ainda mais criteriosa, diante da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. Casos em criança, podem sinalizar transmissão ativa da doença, especialmente entre os familiares, o que deve, portanto, intensificar a investigação dos contatos. Para diagnóstico desses casos, recomenda-se utilizar o “Protocolo Complementar de Investigação Diagnóstica de Casos de Hanseníase em Menores de 15 Anos” (Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde pública. 2016).

Como é feito o tratamento da Hanseníase?

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em referências. O tratamento da doença é realizado com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba impossibilitando a cura da doença. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são auto-administradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos, além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados.

Para crianças com hanseníase, a dose dos medicamentos do esquema padrão é ajustada de acordo com a idade e o peso. Já no caso de pessoas com intolerância a um dos medicamentos do esquema padrão, são indicados esquemas substitutivos. A alta por cura é dada após a administração do número de doses preconizadas pelo esquema terapêutico, dentro do prazo recomendado. O tratamento da hanseníase é ambulatorial, ou seja, não necessita de internação.

Como proceder para participar do Morhan?

O Morhan nacional dispões de algumas ferramentas de contato, e para quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre a luta do Morhan na questão da hanseníase é só entrar no site oficial do Movimento (www.gov.morhan.br) que dispões do telehansen: 0800 026 2001, onde os interessados podem ligar de forma gratuita e se informar. Para ser voluntário do Morhan é necessário ter acima de 18 anos, saber que o morhan é regido por um estatuto e se interessar de fato pela causa; se você trabalha mas que ajudar, saiba que toda e qualquer colaboração diante desta causa é válida. Para ser um voluntário é necessário acessar o site, click no link que tem por opção o cadastro de voluntário, a pessoa preenche o campus da ficha de filiação, envia, o sistema vai mostrar de que lugar você se filiou ao morhan, automaticamente o Morhan nacional vai contactar a Coordenação correspondente ao seu estado.

O que é necessário para criar um núcleo em um município?

É necessário tem no mínimo oito filiados do mesmo município, que inicialmente se cria um pré-núcleo por um período de seis meses, período este em que a Coordenação estadual passa a avaliar os trabalhos desenvolvidos pelo pré-núcleo e após os seis meses a Coordenação avalia se tem realmente condições de criar um núcleo caso há condições de criar núcleo a Coordenação vai ao município cria o núcleo com CNPJ próprio regido por um estatuto aprovado em Assembleia, mas dentro dos parâmetros do estatuto nacional e pronto!!!