A decisão do governador Gladson Cameli (Progressistas) em reduzir em 80% a base de cálculo do ICMS no preço da venda do boi vivo para os estados de Rondônia e Amazonas pode gerar uma onda de demissões nos frigoríficos locais. Além disso, o decreto, publicado nesta terça-feira (12) no Diário Oficial do Estado, tem potencial para encarecer o preço da carne bovina ao consumidor acreano.

Defendida pela deputada federal Mara Rocha (PSDB), a chamada ‘pauta do boi’ é um ótimo negócio para os comerciantes dos estados vizinhos, que certamente virão ao Acre negociar a carne de gado em condições favoráveis. A evasão do produto tanto pode esvaziar os frigoríficos, obrigando os proprietários a demitir a mão de obra ociosa, como também acarretar a elevação do preço do produto ao consumidor final.

A ‘pauta do boi’ é motivo de apreensão entre os representantes do Sindicato dos Trabalhadores Industriários do Estado (Sintiacre). Além dos cerca de mil funcionários dos três maiores frigoríficos que atualmente funcionam no Acre, ela ameaça ainda outros 300 empregos na região do município de Tarauacá, onde um novo frigorífico ainda não abriu as portas por falta de matéria prima.

Para o presidente do Sintiacre, Valdemir Ribeiro dos Santos, mais conhecido por Amazonas, Mara Rocha defende um reduzido grupo da elite de pecuaristas do estado.

No último dia 2 de novembro, a parlamentar tucana esteve com o governador Gladson Cameli para discutir a proposta. Foi nesse encontro que se gestou o decreto publicado nesta terça no Diário Oficial.

Segundo Amazonas, sem ter se dado ao cuidado de ouvir os representantes dos frigoríficos e trabalhadores do setor, a parlamentar do PSDB – e agora o governador Gladson Cameli – tomou à frente da pauta do boi.

Pequenos e médios pecuaristas, em especial da região do Baixo Acre, também criticam a iniciativa da deputada Mara Rocha. Segundo eles, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a fim de se criar uma reserva de mercado, o governo, há anos, vem sobretaxando o comércio de bezerros.

Rondônia, de acordo com o presidente do Sintiacre, possui atualmente 14 milhões de cabeças de gado, enquanto o plantel acreano é estimado em 3 milhões.

A ‘exportação’ da carne bovina acreana para os dois estados beneficiados pelo decreto governamental tem a capacidade de desabastecer o mercado local, o que elevaria o preço do produto aos consumidores acreanos.

“É a lei de mercado: quanto menor a oferta, maior o preço do produto”, finalizou Amazonas.  

Archibaldo Antunes, do Diário do Acre