Sem necessidade de intervenção, os 20 homens da Tropa de Choque enviados para fronteira do Acre com a Bolívia, na última sexta-feira (8), por conta dos protestos dos bolivianos, deixaram a região ainda no final de semana.

Eles tinham sido enviados pelo Comando do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para reforçar a segurança na fronteira do estado acreano com o país vizinho e evitar que o movimento passasse para o lado brasileiro.

Mesmo após o presidente boliviano, Evo Morales, renunciar à presidência, os bolivianos decidiram manter os bloqueios nas pontes da Amizade, na divisa do município de Epitaciolândia com a Cobija, e a Ponte Wilson Pinheiro, em Brasileia.

A fronteira entre Brasil e Bolívia está fechada desde a última terça-feira (5) por bolivianos que pediam a renúncia do presidente boliviano, que se reelegeu pelo quarto mandato consecutivo.

A travessia está sendo liberada para pedestres e, segundo a PM-AC, o movimento é pacífico do lado boliviano. Mas, o Ministério das Relações Exteriores e a Polícia Militar do Acre recomendam que brasileiros e turistas evitem viagens à Bolívia até que a situação esteja normalizada.

Conforme o tenente do Bope, Carlos Campelo, não houve necessidade de intervenção por parte dos militares de Choque e o policiamento do local segue sendo feito por policiais militares do município de Brasileia, no interior do Acre.

“Houve uma conversa com as pessoas que estavam fechando a ponte, eles permaneceram no território boliviano, então não houve necessidade de intervenção. E ficou acordado com nosso comandante-geral que a Tropa de Choque iria retrair para Rio Branco e que, se fosse necessário, a tropa retornaria para fronteira”, afirmou o tenente.

Protestos

A Bolívia sofre com protestos contra e a favor de Evo Morales, enquanto uma auditoria comandada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) reconta os votos da eleição presidencial do país.

A missão da OEA, de 30 membros, iniciou no dia 31 de outubro com os trabalhos para verificar os resultados das eleições de 20 de outubro, vencidas por Morales no primeiro turno. O resultado foi rejeitado pela oposição boliviana, que denunciou fraude na apuração, o que levou o governo Morales a aceitar a missão da OEA.

Os opositores não exigiam mais uma nova contagem de votos, nem um segundo turno entre o presidente e Carlos Mesa, mas sim a anulação da votação e novas eleições gerais (presidenciais e legislativas) “sem Evo Morales”, exigência que era rejeitada pelo governista de esquerda indígena.

Do g1 Ac