A expectativa é grande, já que o próprio governador Gladson Cameli reiterou por diversas vezes que o grande gargalo de sua administração até agora tem sido a saúde e que o problema na pasta não é recurso, mas sim falta de uma boa gestão.

Praticamente todos os dias há relatos de falta de medicamentos, pacientes nos corredores e até pelo chão de unidades de saúde e dificuldade de atendimento.

Albertiza Queiroz de Aguiar, 36 anos, é um exemplo da triste realidade da saúde pública acreana. Tendo passado mal, com pressão alterada, foi levada na UPA da Sobral, na UPA do 2º Distrito e no Pronto-Socorro. Nas três situações foi medicada e liberada para voltar para casa. Sem melhorar, só na segunda ida ao OS é que os médicos descobriram que na verdade Albertiza estava com o quadro de um Acidente Vascular Cerebral, o temido AVC hemorrágico.

Internada desde então o quadro de saúde de Albertiza só se agrava. Tanto que na última segunda-feira, 4, a paciente foi levada para a UTI da Fundação Hospitalar.

Com uma provável indicação cirúrgica, Albertiza precisa fazer um exame chamado arteriografia, que é um exame radiológico baseado na injeção de contraste que possibilita a visualização direta de uma artéria.

Há três dias a paciente aguarda pela realização do exame que deveria ter feito de urgência. O mais absurdo são os motivos pelos quais o importante procedimento para a vida de Albertiza ainda não foi feito.

O exame é realizado no Santa Juliana. Na quarta-feira, 6, a direção da Fundação Hospitalar solicitou uma ambulância para que a paciente que está na UTI, portanto não é uma movimentação de paciente qualquer, fosse levada até o hospital para a realização do exame. A resposta é de indignar. Simplesmente não havia um médico que pudesse acompanhar a paciente. A informação foi confirmada pela gerente de assistência da Fundhacre, Fabíola Helena de Souza.

Nesta última quinta-feira, 7, mais uma vez o exame foi adiado. O motivo? O mesmo. O filho da paciente recebeu apenas um áudio informando que a médica responsável pelo exame havia cancelado o procedimento porque estaria de plantão no pronto socorro e na Fundação e não teria como fazer o exame.

Desesperado ao ver a mães piorando a cada dia, Lucas Aguiar se emociona. “Minha mãe até terça-feira tava falando, mesmo com um pouco de dificuldade e se mexendo bem. Agora praticamente não fala mais e o lado direito do corpo dela tá sendo atingido. Eu só espero que esse exame seja feito hoje e que os médicos possam dizer alguma coisa sobre a recuperação da minha mãe”, diz. Por Leônidas Badaró Ac24horas