Aos poucos vão aparecendo no Portal da Transparência os gastos com as constantes viagens internacionais feitas pelo governador Gladson Cameli que reclama falta de recursos, mas não poupa gastos quando o assunto é carimbar o passaporte com destino ao exterior. 

De todas as rotas, a que mais chamou atenção foi o destino a Alemanha, no início do mês de setembro quando o governador embarcou para uma agenda de oito dias, levando em sua companhia uma comitiva de 12 pessoas. Os custos, sem incluir despesas com passagens aéreas, apenas com diárias, ultrapassam os R$ 100 mil.

Além de Cameli, embarcaram com destino a Europa, a esposa Ana Paula Cameli, o filho Guilherme, os secretários Ribamar Trindade (Casa Civil), Silvânia Pinheiro (Comunicação), os ajudantes de ordens: Amarildo Martins Camargo, Carlos Augusto da Silva Negreiros (Gabinete Militar), Marcos Roberto da Silva Coutinho (Corpo de Bombeiros); e ainda, Carlos Batista da Costa (Comandante do Corpo de Bombeiros), Carlito Cavalcanti (Diretor do IMC), a assessora Julie Messias (consultora ambiental) e a digital influencie, Iraci Magalhães Messias Coelho.

Para uma viagem que teve como pauta visitas tecnológicas ao centro de excelência de combate ao fogo, na área de segurança pública, três detalhes chamaram a atenção de deputados da oposição.

UM – A ausência do secretário de segurança pública, Cel. Paulo César na comitiva;

DOIS – A presença do Chefe da Casa Civil, Ribamar Trindade e, ainda, uma digital influencie, Iraci Messias, esta última parente do governador.

TRÊS – O tempo de permanência de toda comitiva no chamado Espaço Schengen que reúne países europeus e possui uma convenção que permite o livre trânsito de turistas sem controle fronteiriços e alfandegários. Pelo que foi publicado pela estatal de comunicação da SECOM, quatro dias foram suficientes para o cumprimento de todas as pautas.

Com referência as visitas técnicas, a comitiva precisou dos dias 8, 13 e 15 de setembro, quando estiveram no centro de excelência e combate ao fogo na sede da fábrica localizada na cidade alemã de Ulm, e na Fábrica e Centro de Testes da Iveco Defence, em Bolzano, na Itália, onde são fabricados veículos blindados para uso militar no combate ao crime organizado e vigilância de fronteiras.

De acordo com a apuração, para preencher o vácuo na agenda entre os dias 8 e 12 de setembro, a Casa Civil do Governo do Acre convocou às presas a consultora ambiental Julie Messias, que é assessora técnica do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC). Coube a ela, conseguir uma agenda extraordinária entre o governador Gladson Cameli e executivos do banco alemão KFW.

A Casa Civil nega que o encontro que aconteceu dia 11 de setembro, em Frankfurt, tenha sido um enxerto. Quatro dias depois que retornou da Alemanha, o governador Gladson Cameli embarcou para os Estados Unidos, em mais uma agenda ambiental com os mesmos temas alegados durante o encontro com o banco KFW, entre os eventos da Semana do Clima de Nova Iorque (Climate Week The New York).

Para esse encontro em Nova Iorque o governador levou além da família, o representante do escritório político em Brasília, Ricardo França e a diretora técnica da Casa Civil, Paula de Barros, e ainda, a diretora Técnica do Instituto de Mudanças Climáticas de Regulação de Serviços Ambientais – IMC, Julie Messias. Pela secretaria de comunicação foi enviada a porta-voz Mirla Miranda. Ela aparece nas fotos divulgadas pela estatal de comunicação junto com o representante de Brasília, Ricardo França.

As agendas internacionais do governo e os pífios resultados econômicos apresentados até aqui, preocupam deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Estado do Acre. O deputado Daniel Zen (PT) chegou a protocolar requerimento, solicitando detalhes dos compromissos do governador no exterior. A aprovação do documento foi derrubada a pedido da Casa Civil.

O ex-líder do governo, deputado Luiz Tchê (PDT), mesmo fazendo parte da base, não poupou críticas ao executivo, durante entrevistas coletivas concedidas na semana da viagem. O pedetista pediu explicações sobre o papel desempenhado pelo chefe da Casa Civil, Ribamar Trindade, nas missões internacionais. “Pelo o que eu sei ele não é poliglota”, ironizou o parlamentar.

Em média, cada integrante da comitiva que foi a Alemanha custou aos cofres públicos cerca de R$ 15 mil somente com diárias. Os valores de diárias destinados ao coronel Batista e seu ajudante de ordem Roberto Coutinho ainda não constam no Portal. Também não estão divulgadas as diárias pagas ao diretor Carlito Cavalcante e a assessora Julie Messias, ambos viajaram pelo IMC.

Não foi possível identificar no Portal da Transparência o valor das passagens aéreas custeadas pelo estado para cada servidor que acompanhou o governador nas agendas internacionais. Um pedido de informações deverá ser protocolado via Ministério Público Estadual. Por Ac24horas