Pelo menos os três delegados – Pedro Henrique, Karlesso Nespoli e Sérgio Lopes – foram transferidos das delegacias onde atuavam após manifestar contrariedade, no último final de semana, às mudanças que o governador do Acre, Gladson Cameli (Progressistas), quer implementar na gestão estadual. A alegação dos dissidentes é que a Polícia Civil viraria um mero departamento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública.

Pegos de surpresa pelo aviso de transferência sem comunicado prévio, os delegados falam abertamente em perseguição, creditando a mudança aos seus posicionamentos contrários à vontade do chefe do Executivo Estadual, ao vice-governador Major Rocha (PSBD) e ao atual secretário de Segurança Pública, Rêmulo Diniz.

“Eu não vejo outra razão para isso. Simplesmente não concordamos com essas mudanças. Você não acha estranho ou só uma coincidência que exatamente os três delegados, incluindo eu, que fomos contra isso tudo, sermos mudados de departamento sem qualquer comunicado prévio?”, questiona Pedro Henrique.

Ele afirma ter tentado falar com o secretário de Segurança para que desse uma explicação plausível sobre as transferências, mas Diniz está em viagem a Porto Velho.

“Essas mudanças que pretendem fazer na Polícia Civil são muito estranhas. O problema de tudo isso está na gestão, meu caro. Não se pode colocar um novato conduzindo um barco como o da segurança pública. O assunto é muito sério e delicado, até porque estamos falando de vidas. Da mesma forma, não se coloca um estagiário para tomar conta de uma redação de jornal, você não concorda comigo? Se um chefe não sabe conduzir algo, muda-se o chefe e não os soldados”, ensina Henrique.

Na tentativa de ouvir a versão dos representantes sobre o assunto, a assessoria de imprensa da Sejusp nos garantiu que ainda nesta quinta-feira (3), será emitida uma nota de esclarecimento sobre o caso.