Vídeo: Caso do médico Eugenio Chipkevitch que abusou sexualmente de seus pacientes

O médico sedava os pacientes para cometer os abusos, e, com o auxílio de uma câmera, filmava todo o ato para posteriormente assisti-lo.

Canal ciencias criminais – No dia 20 de março de 2002, um programa da TV aberta divulgou imagens do renomado pediatra Eugenio Chipkevitch, que, à época, constava com 47 anos de idade, abusando sexualmente de seus pacientes durante consultas médicas de praxe. 

Eugenio Chipkevitch atendia crianças e adolescentes com idades entre 08 e 16 anos, meninos e meninas, em uma área nobre de São Paulo. Como era muito conhecido em seu ramo profissional de atuação, dada autoria em obras famosas, atendia o público da classe média alta, onde cobrava em torno de R$ 240,00 por consulta, o que equivale, aproximadamente, a R$ 600,00 nos dias de hoje.

A polícia não recebeu nenhuma denúncia acerca dos abusos sexuais cometidos pelo médico, pois tomou conhecimento a partir da entrega das fitas, por um cidadão que as achou, as quais revelavam os atos e identificam Eugenio Chipkevitch.

Isso porque, um cidadão que trabalhava fazendo reparos em redes telefônicas, em seu horário de trabalho, avistou, do alto da torre em que estava, uma grande sacola de lixo preta, cujo formato parecia com um quadrado, o que lhe chamou atenção.

Ao descer da torre, abriu a sacola e achou diversas fitas de vídeo, aparentemente novas, sem qualquer título (na época as fitas continham um espaço para descrever o seu conteúdo, por ex. “festa de aniversário”, “viagem” etc) jogadas na rua. Assim, deduzindo que as tinham jogado fora, resolveu levá-las consigo para que pudesse apagar o conteúdo que eventualmente achasse e gravar novos momentos nas aludidas fitas achadas.

Ocorre que ao chegar em casa, resolveu testá-las em seu videocassete, momento em que se deparou com mais de 15 horas de gravação de atos libidinosos praticados pelo pediatra Eugenio Chipkevitch contra seus pacientes, crianças e adolescentes do sexo masculino, totalizando aproximadamente 35 vítimas diferentes.

Horrorizado com o teor da gravação, esse cidadão encaminhou algumas gravações para a polícia civil e outras para um programa de tv aberta, o qual, no dia seguinte, divulgou, em rede nacional, o médico satisfazendo sua lascívia com os menores de idade sedados.

A partir dessa exposição, fora possível identificar que o médico criminoso era Eugenio Chipkevitch, razão pela qual houve a decretação de sua prisão provisória no dia 21 de março de 2002, sendo acusado de cometer o crime de atentado violento ao pudor com violência presumida.

Ao longo das investigações, fora possível identificar como o médico realizava essas condutas criminosas sem levantar nenhuma suspeita. Ficou constatado que as consultas demoravam em torno de uma a duas horas, onde as mães (ou responsáveis pelos menores) só poderiam participar da mesma até certo momento, onde o médico fazia perguntas sobre alergias, vacinas, medicamentos.

Respondido o questionário pelo responsável do menor, o médico pedia que este se retirasse da sala, para que pudesse examinar o paciente, justificando que como era uma consulta íntima e que nem sempre crianças/adolescentes contam toda sua vida sexual aos pais, ele precisaria fazer outras perguntas exclusivamente ao paciente.

Desta forma, os responsáveis ficavam aguardando a consulta ser finalizada na sala de espera. Ao passo que, nesse instante, o médico sedava os pacientes, preparava sua câmera de vídeo, e, iniciava os abusos contra os menores.

Alguns apontam que as filmagens serviam para que o médico as assistisse depois.

Eugenio Chipkevitch está preso desde 2002, já foi devidamente processado e julgado, atualmente está cumprindo pena no presídio de Sorocaba (SP).

AS VÍTIMAS

Como se trata de crime cometido contra menores de idade que tiveram sua dignidade sexual violada, em respeito às vítimas, não iremos revelar seus nomes.

Ademais, a própria Polícia Civil, baseando-se nessa justificativa, limitou-se a informar apenas a quantidade de vítimas, não expondo seus nomes, bem como que pertenciam ao sexo masculino, de modo que, apesar do médico atender pacientes do sexo feminino, essas não sofreram qualquer tipo de abuso.

O JULGAMENTO

O médico foi denunciado pelos crimes de atentado violento ao pudor e corrupção de menores.

A tese defensiva foi de que o médico não estava molestando os pacientes, mas sim realizando os devidos procedimentos clínicos que poderiam ser, equivocadamente, interpretados como abuso sexual.

Ocorre que, ainda sim, em 2004, findado o processo penal, o juiz de primeira instância sentenciou o médico em 128 anos de prisão, em regime fechado e multa, pelo crime de atentado violento ao pudor com violência presumida, vez que as vítimas se encontravam em estado que dificultava/impossibilitava sua defesa.

A defesa recorreu e o Tribunal de Justiça reduziu a pena para 114 anos de prisão em regime fechado.

Em 2007, a defesa impetrou Habeas Corpus ao Supremo Tribunal Federal requerendo a nulidade do processo. Contudo, em 2013, a corte entendeu ser desnecessária.

Atualmente Eugenio Chipkevitch se encontra cumprindo pena no mesmo presídio que foi preso em 2002, em Sorocaba (SP), vez que lá é específico para os autores de crimes dessa natureza, ou seja, que violam a dignidade sexual de outrem.

Veja o Vídeo: