A Familiocracia faz parte da cultura Brasileira, e na política se torna mais forte e presente, saindo dos seringais e se firmando nas administrações públicas. 

No Acre vem da administração de grandes seringais e com o fim do ciclo da borracha e a criação de vários municípios, os empresários migraram para os centros urbanos do estado e passaram a comandar a economia e posteriormente se encantaram pela vida pública.

Se transformaram em vereadores, deputados, prefeitos e governadores, aumentando ainda mais o poder de barganha e suas influências. Ter o poder da economia e da política se torna um bom negócio e se for mal-intencionado pode ser algo lucrativo.

Pelo nível de pobreza e necessidades básicas do povo acreano, a política do assistencialismo foi virando regra, o que afastou muitas pessoas qualificadas dos cargos de poder, dando lugar aos que detinham dinheiro e aparato mantenedor que virou características das eleições no estado.

Muita coisa avançou e em determinados casos apenas a estrutura financeira não engana mais o povo. Ainda assim, esse sistema é forte, pois a pobreza vira refém desse método em vários municípios.

No Juruá essa cultura eleitoral assistencialista tem características mais forte. Ao longo da história já foram eleitos Governadores, senadores e diversos deputados usando estratégicas do tipo.

Nos dias atuais, podemos citar a Família Sales. Liderados pelo ex-vereador, ex- deputado estadual e ex-prefeito Vagner Sales, o grupo também tem méritos de quem o construiu, mas não bastasse esse legado, Vagner Sales pôs a filha Jéssica Sales na política, essa já no segundo mandato. Sua esposa Antônia Sales está no segundo mandato de deputada estadual e o filho é diretor regional do DERACRE no Governo Gladson Cameli (Progressista). Sem esquecer que ele, o próprio Vagner, ocupava o cargo de secretário estadual de articulação política até bem poucos dias, tendo sido exonerado por recomendações do ministério público.

Uma família invejável hein! Se não fosse o abuso de poder, pois o método de usar a política para galgar riquezas, impor suas opiniões em vários municípios e ditar as regras do jogo.

Mesmo passando a impressão para o povo de uma família simples e humilde, esta é uma das milionárias, fruto do que a política deu.

A ânsia de poder segue firme. Vagner Sales está impedido de disputar eleições, resultado de processos e condenações na justiça, mas comanda o projeto familiar para alcançar mais poder. Recentemente já declarou que sua filha, deputada federal Jéssica Sales (MDB), irá disputar a vaga de senado nas eleições de 2022, por conta disso o mesmo iniciou uma correria na construção de base política que garanta apoio ao projeto ousado.

Antes de 2022, o Leão do Juruá disse que lançará seu filho Fagner Sales para disputa da prefeitura de Cruzeiro do Sul. Fagner foi secretário de gabinete do pai, quando o mesmo era prefeito da cidade, hoje ocupa a diretoria regional da SEINFRA – Secretaria Estadual de Infraestrutura Urbana do Acre, comandando os trabalhos da pasta na região do Juruá.

Geralmente na política se constrói grandes projetos vitoriosos, formando grandes grupos de lideranças e apoiadores que são os responsáveis pelo sucesso ou seu fracasso. Nesse caso da Pirâmide de poder levantada pela família Sales leva a crer que seus apoiadores não almejam espaços na política. Será que neste grupo não nascem novas lideranças? Não tem espaços para renovação de outros atores?

Essas perguntas seguem sem respostas e o que se ve de fato é a cultura da Familiocracia, que teima em não dar espaço para a política com maior participação democrática e livre dos conchavos arcaicos.

Cruzeiro do Sul precisa fazer Vagner Sales se conformar com tudo que lhe já fora dado. A cidade não pode retroagir, pois com o potencial que detém, precisa continuar avançando. Fonte acjornal.com