Investigações da Polícia Civil do Acre apontam que Casseb receitava anabolizantes para os pacientes.

O médico Giovanni Casseb, preso temporariamente durante desdobramento da operação de combate à venda ilegal de anabolizantes da Polícia Civil, foi transferido na noite de domingo (21), para o Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Rio Branco.

A informação foi confirmada pelo delegado Pedro Resende, da Delegacia de Repressão a Narcóticos e Narcotáfico (Denarc).

“Era pra eu ter feito ela [a transferência] hoje [segunda-feira, 22] de manhã, só que foi feita ontem à noite, por volta das 11 horas. O Bope foi lá para fazer a condução do preso”, disse.

O médico foi preso, na manhã de sexta-feira (19), em Rio Branco. Ele foi pego no momento em que estava no seu consultório, em uma clínica que fica no bairro Bosque.

As investigações da Polícia Civil apontam que Casseb receitava anabolizantes para os pacientes e seria sócio de Wendel Silva, que também está preso. Além disso, o profissional é suspeito de fazer parte de uma rede de distribuição do medicamento.

O delegado disse que as investigações continuam e que a mudança no local da prisão não interferem no andamento das diligências, neste primeiro momento.

Habeas Corpus

A defesa de Casseb entrou com um pedido de Habeas Corpus ainda na sexta-feira (19), mas foi arquivado por falta de informações que estão no processo que corre em segredo de Justiça e não foram liberadas para que o advogado tivesse acesso.

Além disso, O Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC) abriu um procedimento interno – sindicância – para apurar se o médico cometeu infração ética.

A presidente do CRM, Leuda Davalos disse que o conselho ainda vai definir o que vai realmente ser apurado na sindicância.

‘Pessoa íntegra’, diz pai

O advogado e pai do médico, Atalidio Bady Casseb, negou que o filho tenha envolvimento com rede criminosa. Segundo ele, o filho tinha um relacionamento e ajudava Wendel da Silva, preso no último dia 9 com um carregamento de comprimidos. O advogado confirmou que o filho faz uso de anabolizantes, mas negou que ele participe do esquema.

“Até mesmo custeava algumas despesas, Giovanni não precisa e nunca precisou desse tipo de negócio ilegal. É um médico de sucesso, professor universitário, salvou vidas e é uma pessoa que tem uma renda que supera o que se pode imaginar. Quem tem uma atividade ilegal não comprova imposto de renda, é uma pessoa íntegra”, defendeu.

Entenda o caso

Casseb foi preso temporariamente no consultório dele, em uma clínica que fica no bairro Bosque. A polícia já havia apreendido vários frascos, seringas e comprimidos de anabolizantes no dia 3 de julho, em Rio Branco, na primeira fase da operação.

O delegado Pedro Resende disse que foram apreendidas diversas caixas de amostras de remédios controlados na casa do médico. O mesmo medicamento foi encontrado na casa de Wendel.

“Conseguimos prender o Wendel, que era um forte distribuidor de anabolizantes não só na capital, mas em todo estado. Com o desdobramento, chegamos na pessoa do Giovanni, que é o médico associado do Wendel, que auxiliava e ajudava nessa organização para venda de anabolizantes”, explicou o delegado. Por Alcinete Gadelha, G1 Acre