Após 15 dias da Operação Ojuara, Capeta segue preso e aguarda julgamento de recurso

Carlos Gadelha e outras 17 pessoas foram presas em operação da PF suspeitos de facilitar crimes ambientais. Suspeitos foram transferidos para a Unidade Prisional 4 (UP-4).

Esquema envolvia policiais militares, servidores do Ibama e fazendeiros . Operação Ojuara resultou em 18 prisões e apreensão de R$ 800 mil.

O ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Acre, Carlos Francisco Gadelha, foi transferido para a Unidade Prisional 4 (UP-4) e segue preso. A informação foi confirmada, nesta quinta-feira (23), pelo advogado do ex-gestor, Maxsuel Maia.

Gadelha e outras 17 pessoas foram presas preventivamente na Operação Ojuara da Polícia Federal, no último dia 8 de maio. De acordo com a polícia, a ação investigou pessoas envolvidas em crimes ambientais cometidos por alguns servidores do Ibama, policiais militares e fazendeiros. Somente cinco pessoas continuam presas.

Inicialmente, os presos tinham sido levados para a Unidade Prisional Francisco D’Oliveira Conde, mas a pedido da defesa, foram transferidos.

“Os pedidos de liberdade estão sendo protocolados na Vara Federal de Manaus. Esse final de semana devem começar a ser analisados pela Justiça. O Carlos Gadelha é um dos que foram presos preventivamente. Por isso, continua aguardando o julgamento do recurso recolhido na Unidade 04. Na próxima semana teremos novidades sobre o caso”, disse o advogado.

Operação

A Operação Ojuara, que investiga crimes praticados por grandes fazendeiros no Acre e Amazonas, cumpriu 36 mandados de buscas e 18 de prisões, sendo 17 por mandados e uma em flagrante. Houve uma prisão ainda em Minas Gerais.

Entre as prisões estão quatro policiais militares de Boca do Acre (AM), cinco pessoas do Ibama no Acre e mais quatro fazendeiros do Amazonas. A PF-AC informou que foram apreendidas cinco armas de fogo, munições, um avião monomotor, cinco caminhonetes, 11 tratores, mais de 7 mil cabeças de gado, celulares, mídias e ao menos R$ 800 mil.

Dos presos, cinco são servidores do Ibama; quatro são PMs do Amazonas; três pecuaristas; dois grileiros de terra; um engenheiro florestal ex-funcionário do instituto e mais duas pessoas que a polícia intitulou como “testas de ferro” da organização criminosa.

Esquema

A Polícia Federal informou, em coletiva, que a quadrilha funcionava em função do desmate ilegal para a criação de gado e arrendamento de terras. Dentro do grupo havia pessoas destinadas para manter o esquema.

“Essa organização praticava grandes desmatamentos da Floresta Amazônica e envolvia atos de corrupção dos servidores do Ibama, atos de corrupção envolvendo alguns policiais militares do Amazonas e envolvendo ameaças e expulsões de pequenos proprietários rurais, quando foi identificada, inclusive, uma tentativa de homicídio”, disse o delegado da PF que coordenou a operação, Victor Negraes.

Negraes afirma que a quadrilha estava dividida em cinco núcleos que estavam interligados dentro do esquema.

“Tínhamos o núcleo dos desmatadores, que era constituído por fazendeiros do Amazonas e que praticavam reiteradamente crimes ambientais de desmatamento para criação de gado. Em tese, essas terras eram também griladas por estarem em áreas da União e projetos de assentamento. O outro núcleo dessa organização era o de fiscalização, composto por servidores do Ibama, comandado pelo então superintendente regional do órgão e que solicitava vantagens indevidas para que os desmatadores não fossem responsabilizados”, explica o delegado.

Os servidores do Ibama, segundo a PF, multavam ‘laranjas’ e também vazavam informações privilegiadas sobre operações específicas na região. No meio do grupo havia também o núcleo de operadores, que mediavam o esquema entre fazendeiros e servidores federais com o pagamento de propina, segundo a polícia.

Por fim, os policiais militares eram recrutados para manter a segurança das terras griladas e do desmatamento. Além disso, coagiam pequenos proprietários de terras da região. Por Iryá Rodrigues, G1 Acre.