Após um ano, família de menina de 11 anos morta em ação do Bope pede prisão de suspeitos

Familiares usaram cartazes e gritavam pedindo justiça. Polícia Militar disse que não vai se manifestar sobre o caso que já está sob responsabilidade da Justiça.

Após um ano, familiares e amigos da menina Maria Cauane da Silva, de 11 anos, morta durante uma ação do Batalhão de Operações de Segurança (Bope), fizeram um ato, na manhã desta terça-feira (14), em frente ao comando-geral da PM para pedir a prisão dos responsáveis pela morte da menina.

Cauane morreu em maio do ano passado, após ser atingida por um disparo de fuzil usado pela Polícia Militar do Acre (MP-AC) em uma ação policial no bairro Preventório, em Rio Branco.

Além de Cauane, foram mortas mais duas pessoas durante um tiroteio entre facções rivais e a polícia. Na época, o Bope informou que o tiroteio começou após os policiais fazerem uma operação na área.

Durante o ato, os familiares usaram cartazes e, em alguns momentos, gritavam pedindo por justiça. A assessoria de comunicação da PM informou ao G1 que não vai se manifestar sobre o caso que já está sob responsabilidade da Justiça. O Tribunal de Justiçado Acre (TJ-AC) também disse que não vai se pronunciar sobre o caso.

“Foi uma crueldade o que eles fizeram, porque não tinha precisão. Por isso, que pedimos justiça pela nossa filha que morreu inocentemente. Era só uma criança de 11 anos”, chorou a mãe da menina, Marlene Paula Araújo.

Segundo Marlene, ao procurar o Ministério Público, a família foi informada que o pedido de prisão dos suspeitos foi negado pela Justiça.

O pai de Cauane, José Carlos, disse que família foi embora de casa porque vive assustada e espera que a Justiça atenda ao pedido de prisão dos acusados.

“Eles chegaram lá com imprudência, disseram que era briga de facções e não é verdade, chegaram atirando e sabiam que lá tinham famílias de bem, idosos e crianças e mataram nossa filha. Estamos aqui só para pedir que eles paguem pelo erro que cometeram”, disse.

Entenda o caso

Um tiroteio entre facções rivais no bairro Preventório, em Rio Branco, terminou com uma criança de 11 anos e mais duas pessoas mortas na noite do dia 14 de maior de 2018. Na época, o Bope informou que o tiroteio começou após os policiais fazerem uma operação na área.

A ação no bairro ocorreu após a polícia ter tido acesso a um vídeo, onde criminosos exibiam armas de grosso calibre e anunciavam a retomada do local. “O João falou que é pra não recuar e vai rolar troca de tiros”, dizia um dos trechos do funk divulgado no vídeo.

O laudo feito pelo Instituto de Criminalística concluiu que o tiro que matou Maria Cauane foi disparado de um fuzil usado pela PM-AC. A informação foi confirmada pela Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) no dia 15 de maio de 2018.

Por Alcinete Gadelha, G1