Mãe muda de cidade para fazer tratamento do filho com microcefalia

Mãe e filho são de Epitaciolândia, no interior do Acre, mas por falta de profissionais no serviço público precisaram mudar de cidade.

Ser mãe é um substantivo que pode vir carregado de sinônimos, com seus mais variados significados, mas a dedicação aos filhos, sem dúvidas é uma das maiores virtudes que elas carregam.

Exemplo disso é a jovem Katle Borges, de 26 anos, que dedica seus dias a cuidar do filho que nasceu com microcefalia.

Arthur Miguel tem 2 anos, precisa de atendimento com o fisioterapeuta e com o fonoaudiólogo para desenvolver algumas habilidades. Mãe e filho são de Epitaciolândia, no interior do Acre, mas por falta destes profissionais no serviço público precisaram mudar de cidade.

Há dois meses, os dois estão morando em Senador Guiomard, também no interior, mas foi onde encontraram o tratamento necessário e precisaram da mudança para que Arthur pudesse se desenvolver da melhor forma possível.

“A minha é vida é voltada para ele agora. Tudo que tenho que fazer é por ele”, conta Katle sobre as dificuldades enfrentadas por ter que morar fora, longe do apoio da mãe e da irmã que sempre ajudaram com os cuidados ao filho.

Sobre a mudança, a mãe conta que há momentos nos quais se desespera. “Bate o desespero, dá vontade de voltar para casa na mesma hora. É tudo diferente e novo. Uma rotina totalmente diferente, tinha pessoas que me ajudavam, minha mãe e irmã estavam sempre presentes e agora não”, conta.

O apoio emocional de Katle agora é pensar no bem-estar do filho e segurar-se na conexão de mãe para filho para não desistir diante das dificuldades. Conforme relatou, é preciso renunciar para que o pequeno tenha um bom tratamento.

Tratamento parado

Foram cinco meses sem o tratamento. De acordo com Katle, o filho que estava engatinhando, mas regrediu. Sem o acompanhamento, ele não consegue evoluir, o que preocupou a família e forçou a mudança.

“É difícil porque minha mãe me ajudava muito. Agora, sou eu e ele. Esses dias ele adoeceu, foi uma barra, porque nunca tinha ido ao hospital com ele assim, muito gripado e sozinha. É tudo muito diferente. Muito complicado”, lamenta.

Com a mudança, Arthur vai ter o tratamento reiniciado, o que falta são os novos pedidos do médico para voltar a fazer as sessões. As consultas foram marcadas, segundo informou.

O tratamento de Arthur Miguel é feito desde o seis meses, mas foi suspenso em dezembro do ano passado, sem previsão de retorno, segundo contou Katle.

Zika Vírus

De acordo com a Katle, Miguel nasceu com microcefalia, consequência do zika vírus que ela teve durante a gravidez. “Só descobri quando ele nasceu”, relembra sobre o diagnóstico da doença no filho.

Sobre a condição atual do filho, ela diz que ele não toma medicamento, nunca teve convulsão. Apenas não consegue andar, nem falar por causa do pouco desenvolvimento do cérebro, consequência da microcefalia.

“Ele não consegue andar nem falar. O problema é que o atendimento que ele precisa não está sendo disponibilizado e não quero ver meu filho regredir”, conclui.

Por Alcinete Gadelha, G1