Mais de 200 pacientes com lúpus fazem tratamento na rede pública do Acre

Somente em 2019 foram registradas duas mortes por complicações da doença, segundo responsável pelo ambulatório de lúpus do Hospital das Clínicas.

Mais de 200 pacientes com lúpus fazem tratamento na rede pública do AC — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Mais de 200 pessoas diagnosticadas com lúpus fazem tratamento na rede pública do estado do Acre. Segundo a responsável pelo ambulatório da doença do Hospital das Clínicas, reumatologista Adriana Marinho, somente este ano, foram registradas duas mortes por complicações do lúpus no estado.

Nesta sexta, é comemorado o Dia Mundial da Luta Contra o Lúpus, onde algumas ações são desenvolvidas voltadas para as pessoas que sofrem com essa doença.

O lúpus é uma doença inflamatória crônica, de origem autoimune (quando o sistema imunológico ataca o próprio organismo). Segundo a reumatologista, essa é a principal doença autoimune e uma das doenças reumáticas que mais causa morte.

Toda as sextas-feiras são atendidos no Hospital das Clínicas do Acre, em Rio Branco, 24 pacientes com lúpus, segundo a médica.

“É uma doença que pode acometer vários órgãos do sistema e é mais comum acometer mulheres jovens, na idade produtiva, entre 20 e 40 anos. Em homens não é tão comum, mas quando ocorre tende a ser muito grave porque costuma pegar nos rins. Não tem cura e tem um tratamento que vai depender de cada órgão que foi acometido”, explicou a médica.

Não existe uma causa estabelecida e não existem maneiras conhecidas de impedir o aparecimento da doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais contribuem para seu desenvolvimento.

Uma lei municipal garante a distribuição de protetor solar para pacientes diagnosticados com lúpus em Rio Branco. Para receber o benefício é preciso que o paciente esteja cadastrado na Associação de Pacientes com Lúpus no Acre.

São sinais de alerta: dor articular, cansaço desproporcional e sem explicação, manchas na pele, queda de cabelo (porque o folículo fica inflamado), dor para respirar, parece uma dor muscular, mas não vai embora, febre

‘Quase 20 anos de muita luta’

Diagnosticada com lúpus há quase 20 anos, a maquiadora Queli Feitosa, de 38 anos, resolveu criar em 2013, junto com o marido, a Associação dos Portadores de Lúpus no Acre, que busca orientar e dar apoio a pacientes com a doença. Ela relatou que foram anos de muita luta, mas que nunca desistiu.

“Comecei a ter os sintomas de lúpus desde meus 15 anos, ia na dermatologista e ela passava protetor solar. Eu tinha vergonha porque ficava uma cicatriz no rosto. O diagnóstico foi confirmado somente quando eu tinha 19 anos e logo comecei a fazer o tratamento. São quase 20 anos de muita luta, mas nunca desisti”, lembrou Queli.

Entre as complicações da doença, a maquiadora conta que teve problemas na visão, na circulação que acabou gerando trombose e perda de dois dedos do pé. Além disso, ela precisou fazer o transplante de um rim.

Queli também falou das dificuldades de quem tem a doença. “Muitas de nós têm comprometimento nas articulações e, às vezes, não consegue pegar numa colher ou se locomover. A maioria das empresas não emprega pessoas que têm doenças crônicas. Tem gente que pensa que é frescura, mas não. Lúpus é sério, é agressivo, silencioso e quando você pensa que não, ele te mata”, disse.

Do G1 Acre