Deputado Calegário recebe apoio nas Redes Sociais; manobra da base do governo foi um ‘tiro no pé’

Ameaça de submeter deputado Fagner Calegário ao Conselho de Ética repercute nas redes sociais; a favor dele.

As redes sociais continuam a ser o melhor termômetro para a avaliação do que fazem ou deixam de fazer os nossos representantes públicos.

O exemplo mais recente vem a ser a ameaça dos deputados estaduais da base do governo na Assembleia Legislativa do Estado (Aleac) de submeter o colega Fagner Calegário (PV) ao Conselho de Ética da Casa. O motivo seria uma suposta declaração de Calegário sobre o recebimento de propina por parte daqueles que retiraram as assinaturas da CPI da Energisa.

Publicado por dois sites locais, o assunto ganhou grande repercussão entre os internautas inscritos no Facebook – com larguíssima vantagem para o deputado do PV. Dos cerca de 150 comentários (somadas as duas publicações) registrados até agora, mais de 140 eram favoráveis a ele.

Da indignação à ironia, as manifestações se resumiram (salvo algumas exceções) a apoiar o parlamentar, dada a sua postura favorável à CPI da Energisa – empresa que arrematou em leilão público, por meros R$ 50 mil, os bens que antes compunham o patrimônio da extinta estatal Eletroacre.

“Que isso, o cara tenta fazer alguma coisa pela população e recebe um processo?”, escreveu Nathânia Oliveira, a sinalizar como a proposta de instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito é encarada, de modo geral, pela população acreana.

“Ele incomodou muita gente”, reforçou Pedro Luft.

Até o modelo Marcelo Bimbi, que ganhou notoriedade pela participação no programa A Fazenda, da Rede Record, saiu em defesa de Calegário. “Só por falar a verdade???”, reagiu Bimbi à notícia.

Se a intenção dos autores da manobra que tenta submeter o colega de parlamento ao Conselho de Ética era se livrar do jugo popular, as excelências deram com os burros n’água.

Em sua maioria, as opiniões expressas no Facebook indicam que os eleitores tendem a relacionar os deputados contrários à CPI a hipotéticos benefícios concedidos pela Energisa. E no ‘inconsciente coletivo’, a verdade continua a ser verdade mesmo quando não há meios para comprová-la.

Recurso

A ironia foi o recurso usado por muitos internautas na hora de comentar suas impressões sobre o caso. A policial civil aposentada Alberlene Barroso escreveu: “Será que está falando a verdade? E vai ser cassado por falar a verdade??”.

No mesmo tom, Charles Junior registrou: “O bom de viver no país do carnaval é que quem fala a verdade é punido… O que o deputado fez foi dizer o que grande parte da população gostaria de falar”.

“Vai ter que provar”, vociferou, porém, Wagner Lopes. Na mesma linha, Roberto Carlos Chaves chamou o parlamentar do PV de “marinheiro de primeira viagem”, e por isso estaria “falando besteira”.

Um tom acima, Hélio J. Pereira acusou Calegário de se ‘acovardar’ depois de ter feito “várias acusações” e não revelar “o nome dos envolvidos!”

Outros, no entanto, consideram que a decisão de submeter o deputado a julgamento no Conselho de Ética seria “O mais novo modo de calar uma pessoa”, conforme afirmação feita por Ananias Gomes.

Houve até quem desdenhasse a ameaça de cassação, afirmando que Calegário não só continuará no cargo como poderia, se quisesse, vencer as eleições de 2020 para a prefeitura da Rio Branco.

O caso resvalou até para uma parlamentar que anda de bico fechadinho depois de frequentar a carceragem da Polícia Federal, acusada de ter desviado recursos do Fundo Partidário na campanha eleitoral de 2018.

“Falar a verdade é cassado, mas tem deputado estadual do Acre q foi presa por roubar o dinheiro público e não aconteceu nada até agora”, segundo afirmou Altemy Sampaio.

Consultado, Fagner Calegário não quis comentar o assunto.

Archibaldo Antunes, do Diário do Acre