Rio Branco registrou mais de 160 casos de caxumba no último semestre de 2018

Dados são da Secretaria Municipal de Saúde e referentes ao período de junho a dezembro. A caxumba é uma infecção viral aguda e contagiosa.

Em um boletim divulgado nesta quinta-feira (10), a Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco divulgou os casos de caxumba registrados na capital nesses últimos seis meses. De acordo com os dados levantados pelo Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, os números foram aumentando gradativamente no último semestre de 2018, saindo de 1 em junho para 52 em dezembro.

Somados, no período avaliado, são 167 casos, sendo que a faixa etária mais afetada foi entre 20 e 29 anos, com 69 casos. Em seguida, 41 casos foram registrados em pacientes de 15 a 19 anos.

A chefe da Vigilância Epidemiológica, Socorro Martins, diz que os casos ainda estão sendo avaliados e que, apesar de o aumento ser considerável, ainda não configura surto.

“Ainda estamos avaliando dezembro. A gente só decreta surto dentro uma curva epidemiológica que a gente ainda está digitando. Mas, é um aumento grande no número e a indicação é que as pessoas tomem a vacina”, orienta.

A vacina é encontrada em qualquer unidade da rede pública de saúde do município. Vale ressaltar que quem já pegou a doença fica imune ao vírus. “E quem pegar, precisa de repouso e evitar aglomerados pelos 15 dias após infectado, que é o período que a pessoa ainda fica produzindo o vírus”, destaca.

A doença

A caxumba é uma infecção viral aguda e contagiosa, que pode atingir qualquer tecido glandular e nervoso do corpo humano, mas é mais comum afetar as glândulas parótidas, que produzem a saliva, ou as submandibulares e sublinguais, próximas ao ouvido. A caxumba, também conhecida como Papeira, é uma doença de distribuição universal, de alta morbidade e baixa letalidade, aparecendo sob a forma endêmica ou surtos.

É mais comum em crianças no período escolar e em adolescentes, mas também pode afetar adultos em qualquer idade. Normalmente, a caxumba tem evolução benigna, mas em alguns raros casos pode apresentar complicações resultando em internações e até mesmo em morte.

As vacinas contra a doença são a tríplice viral (que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola) e a tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), que estão no Calendário Nacional de Vacinação.

Sintomas

Costuma causar febre, dor e aumento de volume de uma ou mais glândulas salivares e, às vezes, das glândulas sublinguais ou submandibulares – o que causa inchaço na região do pescoço e da mandíbula.

No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de um terço dos casos pode não apresentar sintomas.

Mesmo assim, a doença é contagiosa, e é transmitida por gotículas de saliva expelidas no ar ou pelo contato direto com a saliva de pessoas infectadas.

A caxumba pode “descer”?

Sim. Em 20% a 30% dos casos, segundo o Ministério da Saúde, a caxumba pode afetar também as glândulas dos testículos, cerca de quatro a sete dias após o inchaço das glândulas no pescoço ou mandíbula. Esse tipo de inflamação se chama orquite.

No caso das mulheres acima de 15 anos de idade, pode acontecer também a mastite (inflamação no tecido da mama), em cerca de 15% das ocorrências.

E em 5% das vezes, a doença causa ooforite, inflamação nos ovários. Os sintomas incluem febre e dor na parte inferior da barriga.

Por Tácita Muniz, G1