Secretário de Estado dos EUA diz que país partilha com Brasil desejo de que a Venezuela volte à democracia

Ernesto Araújo e Mike Pompeo se reuniram no Itamaraty. Antes, Araújo recebeu o ministro das Relações Exteriores de Angola.

Ernesto Araújo e Mike Pompeo deram declaração à imprensa após reunião no Itamaraty — Foto: Ana Carolina Moreno

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse nesta quarta-feira (2), após reunião com o novo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que EUA e Brasil compartilham um “profundo desejo” de retorno da Venezuela à democracia.

A Venezuela vive uma crise social, política e econômica. O governo do presidente Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez, é considerado anti-democrático por membros da comunidade internacional, como Brasil e Estados Unidos. Sob esse argumento, o governo de Jair Bolsonaro não convidou Maduro para a cerimônia de posse do novo presidente.

Pompeo e Araújo se reuniram no Palácio do Itamaraty. A conversa entre os dois começou por volta de 8h45 e durou meia-hora. Depois, fizeram uma declaração à imprensa.

” Nós tivemos a chance hoje também de falar sobre as ameaças que emanam da Venezuela, e sobre nosso profundo desejo de trazer a democracia de volta para o povo da Venezuela”, afirmou Pompeo, que nesta terça-feira (1º) assistiu à posse de Bolsonaro.

“Nós conversamos sobre Cuba, Venezuela, Nicarágua. Esses são lugares onde as pessoas não têm a oportunidade de expressar seus pontos de vista, de falar o que pensam. Esses são o tipo de coisas sobre as quais nós pretendemos trabalhar juntos”, completou o secretário de Estado.

Pompeo declarou ainda que Brasil e Estados Unidos “compartilham valores como democracia, e isso não acontece em muitos países”.

Depois da reunião no Itamaraty, Pence esteve com o presidente Jair Bolsonaro.

Realinhamento

Em sua fala, Araújo disse que teve uma “excelente conversa sobre como construir uma parceria mais intensa e muito mais elevada com os Estados Unidos”.

O ministro afirmou ainda que trocou com Pompeo ideias sobre valores que os dois países compartilham.

“Trocamos ideias sobre nossa ideia de mundo, sobre trabalhar juntos pelo bem e por uma ordem internacional diferente, que corresponda aos valores dos nossos povos”, afirmou.

Segundo Araújo, o Brasil está “se realinhando consigo mesmo”, e a política externa, de acordo com ele, segue o mesmo caminho. “Nossa política externa está se realinhando com o povo brasileiro.”

Brasil e África

Antes da reunião com Pompeo, Araújo teve uma audiência com o ministro de Relações Exteriores de Angola, Manuel Domingos Augusto.

O angolano disse a jornalistas que confia em uma boa cooperação da política externa do governo brasileiro com os países africanos. Segundo ele, um dos indícios disso é o fato de Angola ter sido o primeiro país a se reunir com o novo chanceler.

“Acabei de vir de uma reunião em que o chanceler reafirmou o desejo de dar prioridade à cooperação com África, no caso específico de Angola ficou traduzido: os senhores jornalistas viram quem é que se seguiu a mim na audiência com o chanceler.”

“Percebemos que quando há um discurso de campanha, há um discurso político também virado para dentro”, disse ele sobre o discurso feito por Bolsonaro durante a campanha. Augusto reiterou, porém, que o Brasil também é um país muito importante para o mundo.

Do G1 Brasília