Sustentáculo da oposição, Flaviano Melo pediu intervenção federal no governo do tio de Gladson Cameli

“Orleir nunca perdoou Flaviano por humilhações”, diz ex-deputado fiel até o final ao ex-governador cruzeirense.

Por Romerito Aquino e Tião Maia

Gladson Cameli, Michel Temer e Flaviano Melo deram o golpe na ex-aliada Dilma Rousseff para levarem o país ao caos econômico e social – Foto Divulgação

Antes do PT assumir o governo do Acre em 1999, a política no estado era tão nebulosa e violenta que cabeças importantes da atual oposição, que tenta evitar que os petistas vençam pela sexta vez seguida o pleito estadual, chegaram a pedir intervenção federal no governo de um político bem próximo ao atual candidato oposicionista Gladson Cameli (PP).

Isso ocorreu em outubro de 1995 após os 10 primeiros meses da gestão do então governador Orleir Cameli (PPB), que vem a ser o tio e o inspirador da entrada na política acreana do atual senador Gladson Cameli (PP), candidato a governador nas eleições do próximo dia sete de outubro.

Naquele mês, o então trio de senadores do Acre, formado pelos peemedebistas Flaviano Melo (hoje com o seu MDB sendo o maior aliado de Gladson Cameli) e Nabor Júnior (aposentado da política) e a petista Marina Silva (candidata a presidente pela Rede) pediu ao então ministro da Justiça, Nelson Jobim, intervenção federal imediata no Acre por dois motivos básicos.

Ex-deputado revela que Orleir Cameli, tio de Gladson, nunca perdoou Flaviano Melo por humilhões – Foto Divulgação

O primeiro pelos grandes escândalos de âmbito nacional patrocinados pelo governador tio de Gladson Cameli, que se viu nas manchetes dos principais jornais, TVs e rádios do país acusado de ter quatro CPFs, de ser contrabandista e de ter ligações com o narcotráfico, o trabalho escravo e a corrupção de bens e valores públicos.

E o segundo motivo se deu pelo clima de extrema violência que cercava a política acreana com a atuação do esquadrão da morte, comandado pelo então coronel e deputado Hildebrando Pascoal, que decidia quem vivia e quem morria no estado, diante da total inércia dos governos da época, iniciada justamente no governo de Flaviano Melo (1987 a 1990), onde ocorreu um dos maiores roubos da história da administração pública do Acre, que foi o desvio de R$ 40 milhões de recursos do FPE através de sete contas fantasmas no Banco do Brasil, no escândalo que ficou conhecido como “Flávio Nogueira”.

A inércia, os desmandos e a violência no Acre se seguiram nos governos de Edmundo Pinto (assassinado) e Romildo Magalhães (1991 a 1994), e de Orleir Cameli (1995 a 1998), que chegou a chorar copiosamente, como governador, na CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados por ter sido acusado de narcotraficante. Em seu primeiro governo (1999 a 2002), o atual senador Jorge Viana (PT-AC) limpou o estado do crime organizado.

“O ministro da Justiça, Nelson Jobim, pediu ontem explicações ao governador do Acre, Orleir Cameli, sobre as acusações de ligações com o narcotráfico, trabalho escravo e corrupção, feitas por senadores do Estado (Flaviano, Nabor e Marina)”, publicou no dia 14 de novembro de 1995 o jornal Folha de São Paulo.

Senador Gladson Cameli no plenário do Senado em gesto que foi consagrado na Alemanha nazista de Hitler – Foto Divulgação

Crimes de corrupção, narcotráfico, sonegação de impostos e outros

Segundo a matéria do jornal paulista (ver link abaixo), intitulada “Receita acha 4º CPF de governador do Acre”, a Procuradoria da República no Acre sustentava na época o total de 18 acusações de irregularidades cometidas no governo do tio do agora candidato Gladson Cameli.

“Além do uso de vários CPFs, o governador (Orleir Cameli) é acusado de realizar obras sem licitação, montar um caixa dois na administração das contas do Estado, realizar contrabando, explorar trabalho escravo e sonegar impostos”, assinalou o jornal paulista.

Na saída do encontro com o ministro Nelson Jobim, segundo o jornal, “Cameli afirmou que não tem cabimento o pedido de intervenção federal no Acre apresentado ao ministro pelos três senadores do Estado – Marina Silva (PT), Flaviano Melo (PMDB) e Nabor Júnior (PMDB)”.

Segundo ainda a Folha, Jobim disse a Cameli que, após receber as suas explicações, iria ao Acre para conhecer de perto as investigações feitas pela Polícia Federal. A matéria da Folha também sustenta que, em agosto de 1995, um avião arrendado por Cameli foi retido no aeroporto de Cumbica com contrabando.

Gladson Cameli votou contra os trabalhadores na reforma trabalhista a pedido de seu aliado golpista Michel Temer – Foto Publicação

“O governador também é acusado de tentar comprometer metade do território do Acre como garantia de um empréstimo da empresa Mobil Ami, da Colômbia. Segundo a PF (Polícia Federal), há indícios de ligação da empresa com o narcotráfico”, escreveu o jornal paulista.

Ainda na matéria, a Folha assinala que os então senadores Flaviano Melo e Nabor Júnior também pediram ao ministro da Justiça proteção de vida ao jornalista José Bardawil Neto, da afiliada da Rede Bandeirantes em Rio Branco (AC). “Segundo os senadores, um soldado da PM acreana colocou um saco com oito gramas de cocaína no carro do jornalista durante uma blitz realizada perto da TV União, onde Bardawil é diretor”, relatou o jornal.

“Foi uma armação para tentar incriminar o jornalista”, disse Flaviano Melo à Folha. “Segundo ele (Flaviano), a afiliada da Bandeirantes é um dos poucos veículos de comunicação do Acre que tem noticiado as denúncias contra o governador”, assinalou matéria do jornal.

Por último, o jornal paulista informa que, além de Bardawil, dois outros jornalistas pediram proteção ao governo federal, que eram os então correspondentes no Acre dos jornais O Estado de São Paulo, Chico Araújo, e Jornal do Brasil, Altino Machado. “No encontro com Jobim, Cameli negou qualquer ligação com as ameaças sofridas pelos jornalistas e disse ser o principal interessado na segurança dos profissionais”, completa a Folha de São Paulo.

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