Homem de confiança de Gladson Cameli é um preso da Máfia das Ambulâncias no Congresso

Ricardo França foi chefe de gabinete na Câmara e hoje “manda e desmanda” no gabinete do senador e candidato a governador do Acre.

Por Romerito Aquino e Tião Maia

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, proporcionou à revista Época em abril deste ano a manchete de que o Partido Progressista (PP), do senador Gladson Cameli (PP-AC), candidato a governador do Acre nas eleições deste domingo, é uma organização criminosa que, desde 2004, é estruturada para arrecadar “vantagens indevidas por meio da utilização de diversos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta”.

Segundo a procuradora, para sustentar a sua organização criminosa, o PP nomeia “para cargos ou empregos públicos-chave, pessoas já de antemão comprometidas com a arrecadação de propinas, as quais compuseram o núcleo administrativo da organização criminosa, fazendo a ponte com os empresários (núcleo econômico)”. Dodge se referiu a ministérios e outros órgãos públicos federais, ocupados por membros do PP, como “mecanismos de corrupção”.

Ricardo França na lista dos assessores parlamentares do senador Gladson Cameli, em sua página no site do Senado – Foto Repro

Pois bem, desde o início de seu primeiro mandato de deputado federal, em fevereiro de 2007, o senador Gladson Cameli mantém permanentemente ao seu lado, como homem de total confiança, justamente um ex-presidiário da organização criminosa referenciada pela atual procuradora-geral da República, ao falar para a revista Época justamente dos 32 parlamentares do PP – entre eles o próprio Gladson Cameli – denunciados como receptores de propinas do esquema do petrolão da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato.

Trata-se de Ricardo Augusto França da Silva, preso na chamada Operação Sanguessugas, que ocupou as manchetes de jornais, TVs e rádios do país em 2006 por ser assessor de um dos 64 deputados protagonistas do “Escândalo dos Sanguessugas”, que também ficou conhecido como “Máfia das Ambulâncias”, uma quadrilha que desviou mais de R$ 110 milhões através de emendas ao Orçamento Geral da União (OGU) por meio da venda de mais de mil ambulâncias superfaturadas para muitas prefeituras do país.

Donos da empresa dos sanguessugas denunciam o envolvimento do ex-ministro tucano da Saúde, José Serra – Foto Reprodução

O esquema funcionava com os parlamentares aprovando emendas no OGU para o Ministério da Saúde liberar os recursos posteriormente para as prefeituras comprarem ambulâncias superfaturadas da empresa Planan, de Mato Grosso, que é quem gerava as propinas para serem distribuídas a todos os membros da quadrilha. Ricardo França foi preso junto com o ex-deputado Ronivon Santiago, a quem assessorou até 2005, também envolvido no escândalo das sanguessugas.

Membro do Diretório Nacional do PP, Ricardo manda e desmanda no gabinete de Gladson Cameli

“Ele (Ricardo França) é quem manda e desmanda aqui, pois é o homem de confiança do senador”, diz um servidor do gabinete de Gladson Cameli, que pediu para não ser identificado por temer represália. Baseado no direito do resguardo do sigilo da fonte, previsto no inciso XIV, do artigo 5º da Constituição, o site deixa de revelar o nome do servidor.

Mas o fato é que Ricardo França virou chefe de gabinete dos dois mandatos de Gladson Cameli como deputado federal meses depois de ter sido preso, em maio de 2006, por ser acusado pelo Ministério Público Federal de participar de crimes de corrupção ativa, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, no âmbito da Máfia das Ambulâncias. Ricardo também é membro do Diretório Nacional do PP de Gladson Cameli.

Print da matéria da Folha de São Paulo dizendo que corregedor da Câmara, Ciro Nogueira, empregou sanguessuga – Foto Reprodução

Solto por conta de um habeas corpus para responder em liberdade ao recurso que impetrou no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Ricardo Augusto França da Silva é hoje o principal assessor do gabinete do Gladson Cameli, onde ocupa o cargo de Assessor Parlamentar SF02 e recebe o salário de R$ 21.955,76, segundo consta no Portal de Transparência do Senado Federal. França se encontra atualmente no Acre participando da campanha de Gladson Cameli ao governo do estado.

Preso na Secretaria que é a Corregedoria da Câmara dos Deputados

Em 26 de junho de 2006, Ricardo Franca foi destaque em matéria do jornal Folha de São Paulo por ter sido descoberto como servidor da 2ª Vice-Presidência da Câmara dos Deputados, que funciona como corregedoria da casa e que era comandada pelo então deputado Ciro Nogueira (PP-PI), hoje o todo poderoso senador presidente do PP.

Com o título “Corregedor da Câmara empregou sanguessuga”, a matéria do jornal paulista denuncia que Ricardo França era funcionário do corregedor da Câmara desde abril de 2005, indicado pelo então deputado Ronivon Santiago, que foi preso junto com ele mais de um ano depois, quando estourou a operação da Polícia Federal.

Ricardo Augusto França da Silva é membro do Diretório Nacional do PP – Foto Reprodução

Segundo a Folha, a exoneração de Ricardo França saiu em 16 de maio de 2006, 11 dias depois de o escândalo vir à tona, com o corregedor Ciro Nogueira dizendo-se embasbacado em contar, durante mais de um ano, com um servidor envolvido em escândalo na Câmara.

Procurado depois pela Folha, o deputado Ciro Nogueira disse apenas que a segunda vice-presidência da Câmara, que funciona como corregedoria encarregada de investir irregularidades, era loteada politicamente por deputados do PP, seu partido, e que coube a Ronivon Santiago, então deputado federal, a indicação de França.

A grande coincidência da história da prisão do ex-assessor do ex-deputado acreano Ronivon Santiago e ex-chefe de gabinete e atual assessor do também acreano senador Gladson Cameli é que ela nasceu por algo ocasionada justamente no Acre, onde o escândalo da farra das ambulâncias superfaturadas começou a ser investigado pela Polícia Federal em 2002 a pedido do Ministério Público Federal, após constatar a existência de manipulação de licitações a fim de desviar recursos do Fundo Nacional de Saúde. Depois é que o caso foi comunicado à Procuradoria da República no Mato Grosso, onde estava sediada a Planan, empresa responsável pelas fraudes.

O site Expresso Amazônia tentou ouvir o senador Gladson Cameli sobre a situação de seu assessor através de sua assessora de imprensa, jornalista Silvânia Pinheiro, que não retornou o pedido até a publicação desta matéria.

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