Um novo capítulo na novela da briga entre os primos Gilberto e Gehlen Diniz veio a tona nesta quarta-feira, 19.

Depois do deputado Gehlen, que também é policial rodoviário federal, disparar contra o pneu do carro de Gilberto, prendê-lo e acusa-lo de ter jogado seu carro contra o dele, agora é Gilberto que vem a pública para apresentar uma outra versão dos fatos e dizer que registrou queixa-crime contra Gehlen alegando tentativa de homicídio, disparo de arma de fogo em via pública, constrangimento ilegal, calúnia, exercício arbitrário das próprias razões.

Gilberto Diniz concedeu entrevista ao radialista Sorriso em que contou como ocorreram os fatos descritos na queixa. Ele disse que na noite do último domingo, dia 16, por volta das 18 horas, trafegava pelo centro de Sena Madureira quando notou que um carro vinha “queimando pneu” atrás dele em alta velocidade. Quando estava passando próximo a uma carnaubeira da praça ouviu um disparo. Ele então temeu por sua vida, já que disse estar ciente do avanço da criminalidade nas cidades acreanas em virtude da atuação das facções criminosas. Nesse momento, Gilberto diz ter acelerado seu carro para fugir de seu perseguidor.

“Foi então que eu segui rumo à delegacia de polícia para tentar salvar minha vida, porque eu me vi aperreado e me vi acuado. Eu pensei que a única forma de salvar minha vida era chegar na delegacia e entrar lá pra dentro”, contou Gilberto.

Segundo consta na denúncia, Gehlen Diniz conseguiu acertar um tiro em um dos pneus do carro do primo, que foi obrigado a parar quando já estava há poucos metros da delegacia, na rua Benjamin Constant. Gilberto desceu e buscou esconder-se atrás do veículo, foi quando uma viatura da Polícia Militar chegou ao local.

“Ele desceu com a arma na mão e disse para os policiais: ‘prende esse bandido, esse marginal’. E eu fiquei sem saber o que tinha acontecido”, revelou. “Fomos para a delegacia e lá, para a minha surpresa, a vítima que tinha sido eu foi quem acabou sendo presa. Fiquei preso à noite toda”.

Ao radialista Sorriso, Gilberto disse que quer explicações da justiça sobre o caso, sobre o motivo de ser preso, quer que as providências contra Gehlen sejam tomadas, já que garante que foi vítima de tentativa de homicídio.

“Ele disse que fez um único disparo, mas foram vários e as evidências estão lá para serem constatadas pela justiça. Um policial rodoviário federal sabe que não pode fazer disparos em via pública, pois pode atingir inocentes”.

A batida no carro de Gehlen

Na versão apresentada por Gehlen Diniz, teria sido ele a vítima. Ele alegou que estava jantando com uns amigos em um restaurante local quando ouviu um barulho forte. O barulho teria sido do carro de Gilberto atingindo o seu que estava estacionado em frente ao estabelecimento. Foi então que ele saiu em perseguição, alcançando o veículo já na rua Benjamin Constant. Teria sido neste momento em que fez um único disparo contra o pneu do veículo.

Gehlen também diz que Gilberto estava apresentando sinais de embriaguez e que a batida em seu carro teria sido de propósito, uma forma de tentar prejudica-lo.

Gilberto nega. Garante que não bateu no carro do primo e que este sequer sabe quem realmente danificou seu veículo.

“Mesmo que tivesse sido eu que bati no carro dele, esse não é um motivo que justifique uma perseguição como aquela e os disparos em via pública. Como policial, ele sabe disso”, argumenta Gilberto. “Ele deveria ter identificado o carro, ido à delegacia me denunciar que eu pagaria os danos. Um retrovisor quebrado não vale tudo isso”.

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Fonte: página20.net