Tião Viana visita exposição de arte indígena no espaço Kaxinawa, em Rio Branco

Com abertura nesta sexta-feira, 3, a exposição “A Madeira Me Contou” apresenta a arte em madeira realizada por indígenas dos povos Huni Kuin e Sawãdawa.

O governador Tião Viana visitou o espaço e ressaltou o valor histórico e cultural desta ação realizada pelo governo do Estado e pela Associação de Movimento dos Agentes Agroflorestais do Acre (Amaiac).

A exposição está sendo realizada na Casa dos Povos Indígenas (antigo Espaço Kaxinawá), em Rio Branco, e é aberta ao público a partir deste sábado, seguindo até outubro. O trabalho realizado em madeira reaproveitada, sem desmate, é feito por agentes agroflorestais indígenas e jovens das comunidades.

Envolveu 149 participantes do projeto “Oficinas de Artes e Ofício”, nas Terras Indígenas (TIs) Arara do Igarapé Humaitá, em Porto Walter; Kaxinawá da Praia do Carapanã, em Tarauacá; Kaxinawá do Rio Jordão, Kaxinawá do Seringal Independência e Kaxinawá do Baixo Rio Jordão, ambas situadas no Jordão.

Tião Viana falou sobre o tamanho do trabalho realizado, que pode ser observado em cada objeto exposto: “Esta arte representa um momento mágico da vida da Amazônia, porque envolve a cultura e um trabalho da mística da floresta. Representa as pessoas que chegaram aqui primeiro e têm uma história milenar, com espiritualidade muito evoluída”.

Para o governador, as peças expressam também um momento importante no movimento indígena acreano, que cada vez mais tem orgulho de sua identidade. “Os indígenas apresentam agora seus sentimentos e suas percepções da existência amazônica por meio da arte e da cultura. Não há presente maior a Deus do que nós fazermos a arte, compartilharmos assim os nossos sentimentos”, disse.

Com um investimento de mais de R$ 1 milhão, o projeto é promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), e envolve os jovens indígenas nas atividades de Artes e Ofício, viabilizando uma alternativa de trabalho e de renda dentro da floresta.

“A gente viu esse trabalho dá resultado porque está ligado aos mitos e nossa cultura. As esculturas são feitas a partir do reaproveitamento daquelas madeiras caídas, ou as que a água leva. Com este projeto, estruturamos toda a terra indígena com equipamentos para o trabalho e, além dos agentes agroflorestais, envolve os jovens das aldeias, dando uma oportunidade de ofício”, disse Francisca Arara, assessora política da Amaiac.

Valorização

O projeto, que tem apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), faz parte da política do governo do Estado de valorização dos povos indígenas, oferecendo atividades de fortalecimento cultural e de produção sustentável.

Josias Pereira, ou Maná, do povo Huni Kuin, é agente agroflorestal e conta um pouco mais de como essa valorização tem sido importante para o movimento. “Nós, agentes agroflorestais, temos trabalho com a produção, o plantio e cultivo de nossas sementes tradicionais e também com nossa cultura, pintura e nossas danças. Nós fazemos isso com o apoio do governo do Estado e agradecemos muito ao governador Tião Viana, pois vemos a floresta se transformando”, disse.

Neste mesmo período, estão ocorrendo mais de 40 festivais indígenas apoiados pelo governo do Estado. Com as festividades, os diferentes povos se reúnem para celebrar sua cultura, identidade e fortalecer seus costumes, uma experiência que tem transformado as aldeias.

Serviço:

A mostra fica em exibição durante todo o mês de agosto, de segunda a sábado, em horário comercial, na Casa dos Povos Indígenas. As peças estão disponíveis para venda e o preço varia entre R$ 100 a R$ 750.