Lopes, que estava preso até o início deste ano e foi solto após habeas corpus deferido pelo Desembargador Samuel Evangelista, teria violado decisão judicial que o proibia de sair de sua residência no período noturno.

Para Maximiano, Aldemir Lopes não deveria sequer ter sido solto em fevereiro deste ano – Foto: Regiclay Saady

Autor da denúncia que culminou, em setembro do ano passado, na prisão do ex-prefeito de Brasileia Aldemir Lopes (MDB), o promotor Ildon Maximiano afirmou ontem ao jornal Página 20, que se for comprovado o descumprimento das condições impostas pela Justiça ao ex-gestor, o caminho natural é a volta dele ao presídio. 

A possível transgressão veio a público acidentalmente durante entrevista do pré-candidato ao governo do Estado, coronel Ulysses Araújo (sem partido), a um site local na semana passada. Ele mostrou ao entrevistador foto de um encontro político noturno em que o ex-prefeito teria participado. O evento aconteceu na casa do coronel, em Rio Branco, e contou com outras lideranças do MDB, como o deputado federal Flaviano Melo, Vagner Sales e Márcio Bittar, além do senador Gladson Cameli (, também pré-candidato do governo do Acre pelo PP.

Ao mostrar na entrevista a imagem impressa, Ulysses colocou o dedo polegar sobre a cabeça de Aldemir para, possivelmente, escondê-lo e ocultar sua transgressão às medidas cautelares imposta pela Justiça do Acre, mas o caso vazou após reportagem-denúncia publicada pelo site para o qual o coronel concedeu a entrevista.

Foto postada pelo ex-deputado João Correia mostra imagem cortada exatamente onde Aldemir Lopes estaria, reforçando ideia de que o ex-gestor foi ao encontro – Foto: Reprodução

Postagem no perfil no Facebook do ex-deputado Emebista João Correia, que mostra a mesma imagem cortada exatamente onde Aldemir Lopes estaria perfilado, reforça a ideia de que o ex-gestor foi ao encontro.

Principal liderança do MDB no Alto Acre, Aldemir já foi preso duas vezes pela Polícia Federal sob acusação de desvio de dinheiro público, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e organização criminosa. Em fevereiro do presente ano, o desembargador Samoel Evangelista concedeu habeas corpus ao político sob condições, entre elas a de não sair de casa à noite.

“O pressuposto de liberdade para alguém que está preso é o cumprimento de algumas condições, que, se forem descumpridas, demonstra, a partir disso, que não há condições dessa pessoa estar em liberdade porque ela não cumpre com os compromissos assumidos com o poder Judiciário”, disse o promotor Maximiano, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Acre (MPAC).

Coronel Ulysses bem que tentou esconder Aldemir, mas não conseguiu; agora o possível aliado pode voltar para cadeia – Foto: Reprodução

Investigação

O possível descumprimento do acordo judicial deve ser investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Acre (MPAC). Caso confirmada a participação do ex-prefeito de Brasileia na reunião política com os principais nomes da oposição acreana, o MPAC poderá pedir a revogação do habeas corpus que o livrou Aldemir Lopes da cadeia no início deste ano.

A solicitação será analisada pelo Juiz de Direito da vara criminal do município fronteiriço, que decidirá se acata ou não a recomendação do MPAC, após todos os trâmites legais.

O percurso natural da investigação é a oitiva com os demais participantes do encontro e a solicitação ao coronel Ulysses Araújo da imagem mostrada na entrevista para perícia.

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Fonte: Página20