Foi um encontro de aproximação entre emedebistas e parte de um grupo resumido do DEM comandado por Tião Bocalom.

Enquanto Gladson, Rocha e Petecão ainda estavam na ressaca da festa da formação da chapa majoritária entre progressistas e tucanos, o PMDB e o DEM se confraternizavam na casa do deputado federal Flaviano Melo, a “Chácara das Araras”, como é conhecida.

A festinha teve cerveja, vinho, churrasquinho, tábua fria, rabada e Ulysses Araújo, pré-candidato a governador, com seu violão cantando Whisky a Go Go, do Roupa Nova, para Flaviano, Márcio Bittar, Vagner Sales e Bocalom.

“Na minha fantasia o mundo era você e eu”, cantava alto o afinado Coronel. Há ensaios para uma possível composição. Dessa vez, o PMDB, talvez, não use o artifício do blefe.

Aliás, ganha cada vez mais robustez a especulação de que Coronel Ulisses, não aceitando se filiar ao PMDB – o que levaria a seu palanque o carcomido Michel Temer e sua ficha criminal de maior quadrilheiro do Brasil e não, como ele sonha, o polêmico Jair Bolsonaro –, quem iria para o sacrifício de ser candidato ao governo pelo partido de Flaviano Melo seria o já conhecido Márcio Bittar, candidato ao Senado que recuaria da pretensão e iria para o sacrifício de ser candidato a governador desde que fosse garantida a sua esposa, Márcia, uma vaga para federal.

Neste caso, Wagner Sales também iria para o sacrifício de ser candidato ao Senado mesmo tendo na Prefeitura de Cruzeiro do sul, sua base eleitoral, um prefeito, Ilderley Cordeiro, que, a despeito de ter recebido seu total apoio para ser eleito, agora quer vê-lo pelas costas.

Já nas hostes do PSDB, em caso de desistência de Gladson Cameli, quem iria para o sacrifício de ser candidato a governador seria o próprio deputado Major Rocha, com as bênçãos de Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, que deverá ser, sim, indicado pelos tucanos como candidato à presidência.

Difícil é alguém aceitar ser vice de um candidato conhecido pelo destempero verbal e postura de quem faltou às comezinhas aulas de boa educação.

A propósito desta candidatura, seria muito interessante se ver, na campanha, o candidato Major Rocha cumprindo a promessa de fustigar o PMDB e o próprio Flaviano Melo pedindo a reabertura – veja só – do caso “Flávio Nogueira”, a conta fantasma no Banco do Brasil que, quase 30 anos depois, pela quantia surrupiada dos cofres públicos na época, ainda bancaria o PMDB e a turma de Flaviano Melo nos rega-bofes da vida.

Enfim, este é o quadro atual das oposições no Acre. De novidade mesmo, só o fato de, na festa do PMDB, o coronel Ulisses Araújo ter mostrado mais um dote além daquele de enfiar armas e balas na cara das pessoas: o de violeiro.

Agarrado ao braço de um violão – e não mais de uma metralhadora, o PM cantou a noite inteira músicas atuais e do passado, entre as quais se destacava uma, do grupo Roupa Nova, na qual o refrão diz tudo – no relato de Luciano Tavares – o que pensa o militar travestido de político em relação ao eleitor:

– “Na minha fantasia o mundo era você e eu…”. Às vezes, o que parece fantasia significa mesmo… mera fantasia. No máximo, um sonho de verão. A realidade é bem mais fantástica.

Por Tião Maia / juruaemtempo.com