O vereador Roberto Duarte (MDB) quer montar um gabinete no parque de exposições, local onde estão sendo abrigadas as famílias atingidas pelo transbordamento do rio Acre.

Ele segue orientação de seu principal assessor, o ex-deputado federal e ex-prefeito Mauri Sérgio. Duarte, que é pré-candidato a deputado estadual, diz querer “fiscalizar” as ações da Defesa Civil estadual e municipal e dos órgãos da prefeitura que fazem o apoio assas famílias.

Desde que o rio ultrapassou a cota de alerta e passou a atingir as primeiras residências nos bairros das regiões mais baixas da cidade, que a Defesa Civil e a prefeitura estão dando apoio às pessoas afetadas. Algumas famílias optam para mudar-se para a casa de parentes, outras são abrigadas no parque de exposições, local onde são montadas barracas e lhes é fornecida toda a infraestrutura para minimizar o sofrimento de estarem desabrigadas.

Embora por um curto período de tempo, essas barracas se tornam os seus lares. Ali, necessitam de respeito e privacidade, além do atendimento de suas necessidades básicas.

Neste aspecto, a prefeitura de Rio Branco tem grande know-how. Desde a administração do prefeito Raimundo Angelim (PT), que vem sendo um trabalho de excelência no atendimento às famílias que são anualmente atingidas pelas águas dos rios e igarapés da cidade. Esse know-how é reconhecido, inclusive, pela Defesa Civil Nacional.

A preocupação que se tem é que a ação “fiscalizadora” de Roberto Duarte e sua equipe venha trazer desconforto e reduzir a privacidade das famílias abrigas no parque de exposições.

O know-how de Mauri e do MDB em alagações no Acre

O irônico na proposta de Roberto Duarte vem da participação do seu principal assessor Mauri Sérgio, que também é seu principal orientador político. Mauri e o próprio MDB, que até bem pouco era PMDB, têm atuação negativa na história das grandes cheias do rio Acre.

Mauri foi prefeito da capital entre 1997 e 2001. Nos períodos em que o rio transbordava, raramente se encontrava em Rio Branco, já que preferia estar em longas pescarias nos rios da Bolívia e do Peru.

Os fatos mais lamentáveis, no entanto, foram registrados no ano de 1988, quando ocorreu a maior alagação até então registrada no rio Acre. Foram milhares de famílias desabrigadas, o que gerou uma comoção em todo o País e até fora dele. Por conta disso, uma rede de solidariedade se formou, garantindo que toneladas e mais toneladas de donativos – alimentos, produtos de higiene e roupas, entre outros – fossem enviados para o Estado.

Os donativos que eram para ser entregues para os que necessitavam, acabaram desviados, transformando esse em um dos maiores escândalos da história recente do Acre.

E quem foram os protagonistas desta vergonhosa história? Praticamente, todos os membros do governo do Acre à época. Do governador Flaviano Melo ao secretário Mauro Bittar, todos foram acusados de desviar os donativos. Mauri Sérgio, à época, era secretário de Administração de Flaviano Melo.

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