Incapacidade de decisão do senador progressista gera apreensão no bloco oposicionista.

Cargo de vice, escolha pessoal do candidato, é oferecido por Gladson a vários pretendentes – Foto: Da Assessoria

Um clima de incerteza tem tomado conta da oposição nos últimos dias. O que preocupa as principais lideranças não é apenas a indefinição do nome do vice de Gladson Cameli (Progressista), mas, principalmente, a própria viabilidade de sua candidatura. O temor maior é o de que ela não resista às águas de março, já que as de janeiro e fevereiro expõem a fragilidade de uma construção política que se esfarela e escapole por entre os dedos dos caciques oposicionistas.

Para hoje, sexta-feira, 16, estava agendado pelo próprio Glasdon Cameli o anúncio do seu companheiro de chapa. Porém, mais uma vez, o anúncio ficou adiado para data posterior, possivelmente para o fim do mês. Isso porque, a cada nova mudança de tempo, Gladson promete o cargo para um novo aliado de última hora. Enquanto isso, os partidos de oposição continuam se digladiando para emplacar o seu candidato. E a cada promessa não cumprida, a confiança em Gladson Cameli e a sua incapacidade de manter os compromissos firmados com toda a oposição, se esvaem como água que desce pelo ralo. A propósito, há que se lembrar que lá atrás, Bocalom já o tinha chamado de mentiroso, pois o que o Gladson combinou com o DEM em Brasília, não foi cumprido em absolutamente nada.

Gladson Cameli agora corre o risco de ser abandonado pelos principais caciques da oposição. O principal deles é o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales (MDB), liderança que vem sendo alijada na tomada de decisões e não esconde seu descontentamento. Ainda ontem, a ex-deputada Antônia Sales (MDB), esposa de Vagner, anunciou à reportagem do site Folha do Acre que abriu mão de ser candidata à deputada estadual, abrindo vaga para que o esposo concorra no lugar dela.

“Foi um pedido meu. Esse momento em que a política passa por tão grande crise, necessitamos de políticos corajosos e capazes como Vagner”, diz.

Ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, ao perceber que seria usado como barriga de aluguel, desiste da suplência de Márcio Bittar – Foto: Onofre Brito

Antônia Sales garante que a decisão de que Vagner dispute uma cadeira no parlamento estadual representa o compromisso que toda a família Sales possui com o Acre.

“Eu posso continuar fazendo meu trabalho social que sempre fiz, mesmo sem mandato, e essa é a hora de Vagner Sales voltar ao parlamento e fazer um brilhante trabalho em defesa do Acre”, diz. Ocorre que a música não toca neste diapasão. A recente decisão de Sales, tão somente explicita a total falta de comando do bloco, que a rigor deveria ter em Cameli seu comandante em chefe.

Você não é a mamãe!

Vagner Sales, ao ser concorrente à vaga de deputado estadual, automaticamente abre mão de ser suplente na chapa de Márcio Bittar (MDB) rumo ao Senado. A decisão ocorre 22 dias após vazamento de um áudio onde Bittar crítica e deixa exposto o caráter diminuto de todas as lideranças da própria oposição. Vagner percebeu – após o comportamento desleal de Márcio Bittar – que estava sendo usado como barriga de aluguel para gestar uma candidatura onde a família, no caso os emedebistas, não desfrutariam da companhia da vida parlamentar do nascituro, posto que este, antes mesmo de vir ao mundo via consagração pelo voto, já demonstra seu descompromisso com o grupo familiar.

Sales também tem sido vítima da aliança de Gladson com o atual prefeito de Cruzeiro, Ilderlei Cordeiro, também do MDB. A imprensa noticiou recentemente que por exigência de Cameli, há duas semanas, Cordeiro demitiu todos os aliados de Vagner Sales que compunham a administração municipal na capital do Juruá.

Em 2010, procurador Edmar Monteiro também foi submetido à jogatina que Cameli hoje submete os interessados em concorrer como seu vice – Foto: Blog do Altino

A repetição do enredo de 2014

Quatro anos se passaram desde a eleição de Gladson Cameli ao Senado da República. Mas o tempo parece não ter mudado muito o político cruzeirense. Tanto é que está repetindo, tal e qual, sua atuação no período que antecedeu aquele pleito. Suas indecisões, incapacidade de manter a palavra e gerenciar crises, levou-o a postergar a escolha dos suplentes de sua chapa. Para relembrar, o cargo foi oferecido para muitos, sempre diante de acordos que não foram cumpridos. Uma de suas vítimas foi o procurador de Justiça Edmar Monteiro.

Gladson chegou a anunciar publicamente que Monteiro seria o seu 1º suplente e foi aplaudido por isso, pela excelência na escolha do nome. Afinal, o procurador Edmar é tido como um dos nomes mais retos do Ministério Público Estadual (MPE) e do mundo jurídico acreano. Foi ele que comandou a instituição no combate ao crime organizado que culminou com a prisão de Hildebrando Pascoal, conhecido como ‘O Homem do Motosserra’.

Bocalom afirma que Gladson mentiu para a cúpula nacional do DEM – Foto: Arquivo

Assim como o filme estrelado no momento, à época, Edmar Monteiro também foi traído com a lábia de Cameli. O cargo também fora oferecido à jornalista Silvânia Pinheiro, hoje assessora de imprensa de Gladson Cameli e esposa do proprietário de um dos sites que faz oposição ao grupo político que hoje governa o Acre. Por fim, para preencher a vaga, o cargo acabou sendo ofertado à Marilza Gomes, esposa do então prefeito de Senador Guiomard, James Gomes. Como diz a modinha, “São as águas de março fechando o verão”.