O deputado federal Alan Rick (DEM) já era conhecido como o político acreano com menor fidelidade partidária.

Agora, com sua última ação política, também deve ser conhecido como o mais ingrato, ou, no jargão popular, o maior “traíra”. Ele acaba de dar um golpe em Tião Bocalom, o político que lhe deu guarida quando ninguém o queria. Alan Rick recorreu à direção nacional e retirou das mãos de Bocalom a direção do DEM no Acre.

Mais do que apenas desbancar quem lhe deu a mão, Alan ainda desarticulou a possibilidade de o partido disputar o governo do Estado com a candidatura do Coronel Ulisses. Rick trabalha há muito para desmontar as intensões de formação de uma terceira via na política acreana e se dedica, “de corpo e alma”, pela candidatura de Gladson Cameli (PP) ao governo do Estado.

Para isso, já teria mantido conversa com o presidente nacional da sigla, o senador Agripino Maia (DEM/RN), que teria lhe dado carta branca para agir. Alan Rick disse a um site local que Bocalom cairá antes da realização da convenção regional, marcada para o dia 28 de fevereiro, caso não desista da candidatura de Ulisses e não concorde em apoiar Gladson Cameli.

Alan Rick acalenta o sonho de ser vice de Gladson

O leitor pode perguntar o porquê de Alan Rick trair Bocalom, já que este lhe acolheu tão bem no Democratas. A verdade é que tem algo que Alan Rick deseja mais do que uma boa amizade ou do que a formação de um partido forte com uma candidatura majoritária. Alan Rick deseja ser o vice de Gladson Cameli, mesmo que este já o tenha descartado e até declarado preferência pelo médico Eduardo Veloso.

É por isso que está entregando o DEM nas mãos de Gladson, é por isso que está destituindo Bocalom, é por isso que está aniquilando as pretensões de Ulisses e é por isso que fará tudo que estiver ao seu dispor até que tudo esteja definido.

Um passado que condena

Alan Rick ganhou a má-fama de “traíra” em menos de quatro anos como deputado federal. No ano passado, durante a votação de processo que autorizaria o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o presidente Michel Temer (PMDB) por crime de corrupção passiva, seu voto era tido como certo pelo arquivamento da peça jurídica. Mas, na última hora, acabou votando contra Temer depois da repercussão de matéria do Portal UOL que o flagrou negociando seu voto com o Antonio Imbassahy (PSDB-BA), ministro da Secretaria de Governo, que, naquele dia, havia sido exonerado de seu cargo para retornar à Câmara, votar e arregimentar mais votos em favor do arquivamento do processo. Naquele momento, Alan Rick traia Temer e o governo que vinha apoiando há muito tempo.

Eleito deputado federal em 2014 pelo PRB, era tido como um nome forte da Frente Popular do Acre (FPA), coligação que governa o Acre desde 1999, para compor a chapa majoritária – na visão de alguns -, como o 2º concorrente ao senado nas eleições de 2018. Ocorre que em menos de quatro anos, ele se revelou um dos políticos menos confiáveis do Acre.

Sua primeira traição foi justamente à FPA quando votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, já que no organograma político original, também fazia parte da base governista da então presidente em Brasília. Oportunisticamente, votou ‘Fora Dilma!”; “Tchau, Querida!”. Apesar disso, recebeu mais um voto de confiança das lideranças da FPA no estado, principalmente do governador Tião Viana (PT), que desejava tê-lo como aliado no projeto político futuro da coligação. Mas Alan não retribuiu a confiança e abandonou a Frente Popular, falando mal do governo, dos partidos e de suas lideranças. Nesse momento, ele traiu a todos que o acolheram. Traiu Tião Viana, que acreditava no seu futuro político na FPA e ao lado do governo. Desprezou o apoio dos frequentadores da Igreja Batista do Bosque e também da Igreja Universal do Reino de Deus; Desprezou o apoio da deputada Juliana e seus simpatizantes; e também refutou o apoio do prefeito Marcus Alexandre (PT), que o queria próximo apoiando sua administração municipal e ajudando a carrear recursos para a capital acreana.

Já fora da Frente Popular e sinalizando voos futuros mais altos, Alan Rick começou a alimentar um novo projeto pessoal. Desejava ser candidato a vice na chapa de Gladson Cameli (PP) ao governo do Acre pelo bloco oposicionistas, sentando logo na janela do projeto que recém embarcou. Quando o sonho de poder começou a lhe consumir, o Partido Republicano Trabalhista  estava no seu caminho. Mirando mais alto, ele então descartou os Republicanos Trabalhistas e filiou-se ao DEM, dirigido no Acre pelo ex-prefeito de Acrelândia, Tião Bocalom.

Alan Rick se filou ao DEM no dia 1º de agosto. No dia seguinte seria a votação do processo contra Michel Temer, conforme citado acima. Seu novo partido fechou questão pelo apoio ao moribundo presidente Temer. Proibiu todos os seus parlamentares de votarem contra ele. Alan Rick traiu o partido que o acolheu um dia depois.

E agora, fecha o cerco traindo o próprio Tião Bocalom.

Fonte: página20.net