Prefeito de Cruzeiro do Sul diz que avião utilizado na campanha do tucano foi bancado por Cameli

agner Sales sugere que Márcio Bittar usou caixa 2 na campanha de 2014 - Foto: Genival Moura/G1 AC
Vagner Sales sugere que Márcio Bittar usou caixa 2 na campanha de 2014 

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Vagner Sales (PMDB), em declaração concedida ao jornalista Ray Melo, do site AC24horas, em postagem do dia 30 de maio de 2015, deixou patenteado a existência de ‘Caixa 2’ na campanha da oposição nas eleições de 2014. Em declaração ao citado jornalista, o peemedebista classificou o candidato derrotado ao governo, Marcio Bittar (PSDB), de ingrato e revelou que o senador Gladson Cameli (PP) bancou toda a campanha do tucano no Estado.

Diz Sales: “Olha, Márcio Bittar é um ingrato. Gladson pagou toda campanha dele e do Marcio. Gladson bancou do avião que rodava com os dois em todo Estado até despesas com candidatos a deputado estadual e federal”, revelou o alcaide.

Com essas afirmações, Vagner Sales que é marido da companheira de chapa de Bittar, a ex-deputada Antônia Sales (PMDB), e também gestor da segunda maior da cidade do Acre, deixa patente a existência de uma ‘Caixa 2’ nas campanhas majoritárias e proporcionais da oposição do Acre nas eleições de 2014.

Segundo ele, confrontadas as prestações de contas dos dois candidatos, surgem apenas duas doações feitas por Gladson Cameli a Marcio Bittar. Elas somam um total de R$ 66.840,50 e foram feitas através das empresas ligadas à família de Cameli.

politica02062015-004-372x247Esse recurso, no entanto, não seria suficiente para bancar “toda a campanha”, além dos fretes “do avião que rodava com os dois em todo Estado”, conforme revelou Vagner Sales. O valor desse custeio é o que vem sendo reivindicado por Sales como a verdadeira contribuição do senador pepista ao ex-aliado tucano.

De acordo com a declaração oficial ao TRE, a campanha de Bittar teve custos na ordem de R$ 2.150.861,68 (dois milhões, cento e cinquenta mil, oitocentos e sessenta e um reais e sessenta e oito centavos).

A legislação brasileira veda a prática de ‘Caixa 2’. Esse artifício é tido como crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei 9.613/98.

O Supremo Tribunal Federal também entende que o ‘Caixa 2’ – recursos não contabilizados –, configuram crime de corrupção. Os ministros usam como base o artigo 317 do Código Penal que atesta a ilicitude da prática. O dispositivo em questão tipifica que configura corrupção passiva “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”.

Dessa forma, ao receber dinheiro de campanha com origem ilícita e sem declaração à Justiça Eleitoral, um candidato poderá ser enquadrado como corrupto. A pena é de dois a 12 anos de prisão mais multa.

Bittar diz que Cameli foi “omisso” na campanha do 2º turno em 2014
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O início a pendenga

A celeuma entre Marcio Bittar e Gladson Cameli, e a consequente intervenção de Vagner Sales, teve início com a divulgação de um artigo da lavra de Bittar, divulgado a guisa de tecer considerações sobre a não instalação da CPI da BR-364 no âmbito da Assembleia Legislativa do Acre.

No texto, publicado no último dia 27 de maio, sem citar nomes, mais tipificando claramente o senador pepista, Bittar queixa-se de Cameli dizendo que este teria “cruzado os braços” no segundo turno das eleições ao governo do Estado em 2014, quando se digladiaram Tião Viana e o próprio Marcio Bittar.

Diz Bittar: “Perdemos uma eleição onde a derrota não era prevista e nunca culpei alguém; mas não sou cego e sei bem quem cruzou os braços no segundo turno, quem apareceu na foto ao mesmo tempo em que desmobilizava sua equipe. Quem pode mandar no dinheiro dos outros? Quem cruzou os braços tinha seus motivos, geralmente negócios de família com o governo do PT. Não sou a palmatória do mundo, mas a verdadeira oposição no Acre precisa avaliar até que ponto deve continuar sacrificando milhares em nome de algumas pessoas, que precisam ganhar um pouco mais de dinheiro”.

Gladson ainda não se manifestou a respeito das acusações de Bittar. Contactado pela redação, o senador pepista não foi localizado. Informações provenientes da assessoria de comunicação do político cruzeirense dão conta que o parlamentar está em missão ao Japão, representando o Senado Federal.